Cobri seis edições dos Jogos: Barcelona, Atlanta, Sydney, Atenas, Pequim e Londres. Há o lado glamoroso e lacrimejante.
As cerimônias de abertura, sempre pirotécnicas, nos remetem a um mundo de conto de fadas. Ali, Imagine, de John Lennon, torna-se realidade:
"Imagine todas as pessoas/Vivendo a vida em paz".
Jules Boykoff é professor de política na Universidade Pacific e o autor de "Power Games: A Political History of the Olympics" (Jogos poderosos: uma história política das Olimpíadas).
Em competições deste calibre os pobres são retirados das ruas e escondidos em qualquer canto.
É a miserabilidade sendo varrida para baixo do tapete.
A Olimpíada é um excelente exemplo do que Boykoff chama de “capitalismo de celebração”.
Li que o doping “além da saúde, denigre com o cidadão, mostra o caráter da pessoa, ou melhor, o mau-caráter.”
Se denigre tanto, porque tantos atletas de países ricos dopados em competições de alto rendimento?".
As Olimpíadas foram iniciadas por um aristocrata francês chamado Barão Pierre de Coubertin.
As mulheres foram excluídas desde o início.
Para o barão, o trabalho das mulheres nos Jogos era colocar os louros na cabeça dos campeões.
A jornalista Meagan Day entrevistou Boykoff sobre quem fica rico com as Olimpíadas, quem se ferra e o que os ativistas estão fazendo para impedir essa furada.
"Vamos começar com o COI, o grupo que supervisiona o evento, com sede em Lausanne, na Suíça.
Eles têm em suas reservas cerca de um bilhão de dólares ou mais, de acordo com os registros públicos.
E eles se saem muito bem nas Olimpíadas. Cada vez que os jogos acontecem, 73% das receitas do COI vêm de emissoras, como a NBC nos Estados Unidos. Outros 18% vêm de patrocinadores corporativos. No geral, eles recebem uma infusão de bilhões de dólares toda vez que há jogos olímpicos."
Conheço os dois lados dos Jogos e sigo um fã da competição, não deixo de me emocionar e chorar.
Conheço os vários lados do futebol e continuo acompanhando os torneios com fervor.
Sabendo que nem tudo é tão limpo quanto parece.
