Hiltor Mombach

JULGAMENTO

JULGAMENTO

Prezado Hiltor: Poderias usar tua ótima coluna para denunciar o absurdo que foi o julgamento do Douglas. O relator do processo, dr. Juliano Ferrer, é um gremista de quatro costados. É conselheiro e já atuou no Departamento Jurídico do Grêmio. Esta semana mesmo participou do "Cadeira Cativa" e defendeu ardorosamente o Tricolor. Agora me diz que isenção pode ter um julgamento destes, se o relator profere um voto de absolvição contra todas as evidências do caso, inclusive a súmula do árbitro, e ainda é acompanhado pela presidente, Terezinha Irigaray, que só pode ser gremista também. Os dois auditores que analisaram tecnicamente o caso votaram pela condenação do jogador, mas foram vencidos pelos votos gremistas. É triste. Abraços". Agradeço o elogio e omito o autor por não estar autorizado a publicar o seu nome.

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Não sei se Terezinha Irigaray, de quem há muito tempo recebi, autografado, o livro "À Sombra da Revolução", é gremista ou colorada. Pouco importa. A isenção não passa por aí. Opinião isenta é aquela que se encaixa perfeitamente na nossa opinião, no que estamos pensando. Julgamento isento é aquele que termina como queremos.

Se por isenção eu entender um TJD sem torcedores de Grêmio e Inter, bem, então não teremos TJD. Não um TJD da Federação Gaúcha de Futebol. Só se o TJD da FGF funcionar em Brasília.

Bons advogados, como bons jornalistas, bons médicos, bons dentistas, enfim, bons profissionais, gostam de ser respeitados dentro na categoria. Um voto com cor clubística repercute mal.

De acordo com o relato do árbitro Fabrício Neves Corrêa na súmula de Grêmio x Pelotas, Douglas não só chutou a bola contra o auxiliar João de Souza Júnior, como chamou o mesmo de "safado". Além disso, teria ofendido Corrêa com a seguinte frase: "Vocês são fracos, pqp, os piores de todos. Estão inventando". Não sou advogado. Não sei se isto dá pena ou, como no caso, absolvição. Sei que quando um jogador do Inter for citado em súmula pelos mesmos motivos serão julgados da mesma forma por Terezinha Irigaray e Juliano Ferrer.

Esta questão, de gremistas e colorados integrarem o TJD, é antiga. Já deu muito debate. Vai continuar dando toda vez que tivermos um julgamento importante envolvendo Grêmio ou Inter. Não entro nesta paranoia. Noveletto, presidente da FGF, é conselheiro do Inter; Luciano Hocsman, vice da FGF, é conselheiro do Grêmio. O próprio Inter volta e meia se queixa de Noveletto. Foi, é, e sempre será assim. Em tempo: os auditores do TJD não são remunerados. Trabalham de graça.