Nelson Rodrigues abriu assim uma das suas crônica:
“O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente.
Olhem em torno e vejam. É terrível.
O passado irrompe numa gravata, num gesto, num sapato ou num colarinho.”
De uns tempos para cá, tudo mudou.
Não temos mais o grande poeta, o grande romancista.
Temos o grande cronista a retratar o dia-a-dia, o cotidiano.
Não me perdoo por não ter declarado minha admiração por Paulo Sant’Ana nas vezes em que nos encontramos.
O louvor ao próximo nos submete a um tipo de autoflagelação.
A fúria narcisista nos leva ao auto-endeusamento, desconhecendo o provérbio que diz que elogio em boca própria é vitupério.
O que se insinuou em cada palavra da coluna de ontem do Juremir Machado da Silva, a generosidade explícita, o elogio ao livro ao meu livro “Síndrome do pânico: quando o corpo grita” escancara aquilo que já se sabia: Juremir está em outro patamar.
Juremir é, hoje, o grande cronista brasileiro do cotidiano.
Chumbado o seu talento e intelectualidade, Juremir é a negação de Narciso.
Contar com Juremir para alavancar este escrevinhador estreante é um privilégio, uma honra.
Tenho dito.
