Hiltor Mombach

Koff, biografia intocável

Eleito presidente do Grêmio para o biênio 2013-2014 com 57,5% dos votos, Fábio Koff prometeu muitas coisas no seu retorno ao clube.
Como o tricampeonato da Libertadores.
Não cumpriu.
Seu erro foi prometer desconhecendo a realidade da instituição.
Assumiu um Grêmio sem caixa e endividado, ainda sentindo os reflexos da terrível crise pós-ISL, que obrigou o clube a montar  condomínios de credores.
Adiantou verba da TV para sustentar um time para disputar as Libertadores de 2013 e 2014, aumentando a dívida.
Elegeu Romildo Bolzan Jr. com a promessa de seguir no futebol.
Outra promessa não cumprida.
Nesta semana, Koff retirou-se do futebol, provocando reação do Movimento Grêmio Independente, de Oposição:
“Não como deixar de notar o distanciamento entre as promessas feitas durante o processo eleitoral e a prática dos primeiros meses de mandato.
Um dos pilares do projeto escolhido era a permanência dos ex-presidentes Koff e Duda Kroeff no comando do futebol.
É com preocupação que se constata que tal cenário foi alterado antes mesmo do termino do 1º trimestre da gestão.”
Pergunta obrigatória: esta sua passagem diminui Koff em relação a ele mesmo, um ícone da história do Grêmio?
Resposta óbvia: não.
Pelo contrário, é um acréscimo na sua biografia.
Poderia ter ficado em casa, com sua família e os seus, eternizado pelas suas duas passagens anteriores pelo clube, curtindo a fama de multicampeão, de maior presidente desta instituição centenária.
A volta de Koff me faz lembrar outro episódio.
Enquanto alguns fugiam, apresentou-se para trabalhar ombro a ombro com Obino a própria história do Grêmio, Hélio Dourado, que preservava assim a sua imagem de gremista em todas as horas.
Dourado possuía estirpe para morrer abraçado a Obino se fosse o caso.
Na época, escrevi:
“Surpreende-me ver conselheiro investindo contra conselheiro com uma frase, ‘eu não trabalhei com Obino’, fazendo disso peça de defesa.
A este, pergunto: onde estavas quando o Grêmio mais precisou?”
Mas não é aqui onde quero chegar.
Koff deixou o futebol, mas seguirá tocando a compra da Arena.
Nada, rigorosamente nada, é mais importante, decisivo, do que a compra da Arena.
Dela depende o futuro do Grêmio.
Koff que teve cabelo no peito para dizer “a Arena não é nossa”, enfrentando a OAS, construtora que acabou dobrando com o tempo com a ajuda do escândalo do Lava Jato.
Nada, jamais, poderá ofuscar  a biografia de Koff como líder gremista.
Não vou relatar aqui seus dramas familiares dos últimos tempos, embora seja solidário.
É para cuidar dos seus que ele sai do futebol.
Para a história, bem, para esta, ele definitivamente já entrou.
E entrou vai tempo, muito tempo.