Hiltor Mombach

Koff e o fim do Clube dos 13


Koff fala sobre o fim do Clube dos 13







Há muitas versões sobre como terminou o Clube dos 13.
A coluna de hoje traz a palavra do homem que comandava o Clube dos 13 quando da sua extinção, Fábio Koff.
O primeiro a assinar o contrato nos novos moldes, que persistem até hoje e que estão espanholizando o futebol brasileiro foi mesmo o presidente do Grêmio na época, o Paulo Odone?
Aos 84 anos, o presidente mais vitorioso da história do Grêmio, que comandou o clube nas suas grandes conquistas, lança o livro Fábio André Koff – Memórias e Confidências, editado pela AGE.
São depoimentos dados ao professor Paulo Flávio Ledur e ao seu filho, o jornalista Paulo Silvestre Ledur. A obra de mais de 240 páginas tem lançamento previsto para esta segunda-feira, dia 14, no estádio Olímpico, o palco de tantas conquistas do Grêmio. O que segue é o capítulo que fala como terminou o Clube dos 13.
“As janelas de rádio, telefone e internet estavam todas previstas em contrato.
Posteriormente fomos discutir esse contrato de um bilhão de reais, que acabou sendo o motivo da briga e da extinção do Clube dos 13. Contratamos o Ataíde, hoje vice-presidente do São Paulo, para a área de marketing.
A Globo fazia parte da mesa de negociação.
Discutimos todas essas modalidades.
Após o Ataíde andar pelas maiores ligas do mundo, elaboramos uma minuta de contrato.

Nossa proposta mínima era de 1,4 bilhão de reais.
O problema foi que a CBF se atravessou.
O Ricardo Teixeira nunca se convencera por eu não pagar qualquer percentual para a CBF.
Pois ele passou a pedir 15% do contrato.
Eu dizia:

– Pede por escrito.
Ele nunca pediu, e eu nunca paguei.
Não tinha intermediário.
O negócio era discutido com os presidentes dos clubes mesmo, em debate aberto.

O último contrato que se fez tinha licitação aberta com regras tão rigorosas quanto as das licitações públicas.
Houve contrariedades em alguns setores.
Excluo a TV Globo, que sempre fez contrato e cumpriu com pontualidade os pagamentos, muitas vezes antecipando valores, conforme as dificuldades dos clubes.
Ela realmente passou a ser parceira dos clubes.
Havia uma boa parceria entre as Organizações Globo e os clubes. 

Quando se abriu a licitação, a Globo defendeu seus interesses.
Não acho que tenha agido errado.
Tanto é que até hoje mantenho sincera amizade com o Marcelo Campos, diretor executivo da Globo nas negociações.
O Marcelo se antecipou e, antes de licitarmos a TV fechada, ele procurou os clubes e estes começaram a assinar e depois passaram a me comunicar o fato.

Foi quando teve início a tese da Globo de negociar individualmente os contratos; não se faria mais de maneira coletiva.
Os clubes aceitaram e até hoje o contrato é negociado clube a clube. Por isso há essas disparidades de dois clubes em relação aos demais; dois que recebem três vezes mais que os outros. Isso não existia no Clube dos
13. O sistema de partilha do Clube dos 13 era um valor fixo com diferença não superior a 20% e mais verba por desempenho técnico e receita por TV fechada, que se calculava pelo número de assinantes.

Agora há essa distorção.
O primeiro a assinar o contrato foi o presidente do Grêmio na época, o Paulo Odone.
No dia seguinte a esse fato houve uma reunião fechada do Clube dos 13, ocasião em que colegas de outros clubes falaram:

– O teu clube assinou contrato.
O Marcelo, diretor da Globo, viera a Porto Alegre, assinara com o Grêmio e noticiara o fato na TV, no Jornal da Globo, e outros foram atrás. Consequência natural e rápida: o Clube dos 13 foi pro espaço! E eu, que aceitação política ainda poderia ter? Foi assim que acabou o Clube dos 13. Perdeu força política, perdeu parceiro, tornou-se inimigo da CBF.”
Este colunista lembra que o fim do Clube dos 13 gerou uma distorção tão grande no futebol nacional, com Corinthians e Flamengo recebendo cotas tão superiores, que hoje os clubes estão divididos e muitos irão assinar as transmissões com o Esporte Interativo a partir de 2019 como uma forma de retaliar a Globo.