Hiltor Mombach

Koff e o Grêmio de 83: "Nunca verei algo parecido”

Aos 84 anos, o presidente mais vitorioso da história do Grêmio, que comandou o clube nas suas grandes conquistas, lança o livro Fábio André Koff – Memórias e Confidências. O que faltou esclarecer, editado pela AGE.
Com depoimentos dados ao professor Paulo Flávio Ledur e ao seu filho, o jornalista Paulo Silvestre Ledur, a obra de mais de 240 páginas tem textos em primeira e terceira pessoa, e promete sacudir o mundo do futebol com algumas revelações.


O lançamento, na segunda-feira, dia 14 de março, será no Estádio Olímpico, o palco das conquistas da equipe tricolor. Sigo publicando alguns capitulos.


Sobre o Grêmio de 83: 


“Aquela equipe de 1983 era identificada com ela mesma, com o espírito de luta do Grêmio. Parece que a torcida do Grêmio pressentiu. Havia perfeita sintonia inexplicável entre os dirigentes, os atletas e os torcedores. A torcida gritava na frente, antes de o gol acontecer. Tanto que numa das minhas viagens a São Paulo, onde fui me encontrar com alguns dirigentes e amigos de lá, eles diziam: – Esse time do Grêmio não precisa colocar a camiseta do clube. Mesmo sem ela, a gente vai saber que é o Grêmio que está jogando. Era completamente diferente. O time se impunha em campo. Depois isso também se repetiu no time de 1995. O Grêmio marcou época com um estilo de jogo que prevaleceu sobre os outros. Foi imitado até pelo futebol carioca, que se caracterizava pelo toque de bola e que começou a marcar, a ter defesa forte. Para ser campeão do mundo, o Grêmio teve que encarar o Flamengo, que era o então campeão do mundo; o Penharol, que tinha sido campeão do mundo; e depois ganhar do campeão da Europa. Em 1995 a mesma coisa. O Grêmio tinha como rival o Palmeiras, com todo o poder econômico da Parmalat. Acho que uma consciência de equipe passa pelo seu comandante, passa pelo presidente. O presidente molda a equipe, junto com um bom vice de futebol, mas não de um dia para o outro. É um trabalho de paciência, prolongado, de conscientização. Na minha última gestão eu não fiquei muito próximo dos jogadores por causa do negócio da Arena. Entendia que da forma como estava, o Grêmio se tornava financeiramente inviável. Então tive que deixar o futebol em segundo plano. Nunca verei algo parecido.”