Hiltor Mombach

Koff, Romildo, Arena e mais

Eleições, política, estádio e gestão

A semana foi marcada por uma reunião em Brasília, onde o Conselho Gestor da Caixa ficou de estudar as garantias apresentadas pela Karagounis S/A, responsável pela construção de empreendimentos ao lado do estádio, pelas obras do entorno.
Romildo Bolzan esteve presente. Silenciosa, mas ativa, a Oposição afirma que Romildo pretende tirar duplo proveito político comprando a gestão da Arena: eleger-se presidente do clube em um terceiro e inédito mandato e plantar a candidatura para governador em 2022.
Eleito pela primeira vez em 2014, Romildo surgiu como cavalo do comissário Fábio Koff. Hoje, Romildo é o comissário. A Oposição diz que, se fosse vivo, Koff discordaria da a pretensão de Romildo ao governo do Rio Grande do Sul. Não é verdade. 
Este colunista e blogueiro, acompanhado pelos companheiros Carlos Corrêa e Ricardo Giusti, esteve em agosto 2017 no elegante apartamento de Koff para uma entrevista de quatro horas, a última concedida por ele.
Sobre a pretensão política de Romildo, está registrado: “Não ficaria surpreso se ele saísse do Grêmio e fosse candidato a algum cargo político porque ele é um ente político. Ele tem muita habilidade política. É inteligente, é competente, é capaz.” Fim de conversa. 
Perguntamos para Koff onde esbarrava a compra da Arena. Lembrando que foi ele, Koff, o primeiro a tomar a iniciativa de comprar a gestão. Resposta: 
“A compra da gestão da Arena esbarra em duas coisas. Tu não podes comprar a Arena se ela está dada em garantia, ela está penhorada para os bancos credores, há um direito real sobre ela, tá? E tu tens que liberar para transferir, tá? Eles lá pelas tantas me diziam: ‘Está indo aí o cara vocês assinarem o papel’. Não assino até venha isso aí. Nunca veio. Não tinha como assumir o risco de fazer negócio com isso aí penhorado. Quando estávamos ultimando o negócio, ia ser uma troca. Aí explodiu a Lava Jato e eles (OAS) não tinha dinheiro para mais nada. Lembrem de uma coisa que eu vou dizer para vocês. Eu lutei até o fim para colocar uma cláusula para que houvesse contingenciamento de receita para as obras de conservação do estádio. O Grêmio não tem. O estádio vai sofrer desgaste evidentemente. Agora, quem teria que fazer isso é a OAS, mas não vai fazer. As obras do entorno, eram dela com a Prefeitura, não vai fazer.”
Dito isto, acrescentou: “Hoje acho melhor que o Grêmio tivesse ficado no Olímpico. Ainda que o Grêmio tivesse o prejuízo de disputar dois anos sem um estádio, como o Inter pagou este preço.”
O livro “Fábio André Koff-Memórias e Confidências”, lançado em março de 2016, ajuda a compreender a complexidade nesta negociação.
"Enquanto isso, a OAS estabilizou um pouco sua situação, mas a complexidade do negócio aumentou: já eram oito organizações envolvidas: Grêmio, OAS, Santander, Banco do Brasil e Banrisul, que são os repassadores; Bradesco, que deu uma carta-fiança para honrar os pagamentos da OAS; BNDES, que repassou o dinheiro desse empréstimo; e Caixa Econômica Federal, que no passado pagou 300 milhões de reais à OAS para entrar em todo o projeto".
A Caixa comprara 80% das ações da Karagonis, que pertencia à OAS, isso em 2009. Com o dinheiro da Caixa, do BNDES e de debêntures emitidas depois, a OAS fez o estádio sem tirar um tostão do bolso.
A Caixa é dona de 80% desses empreendimentos que estão surgindo na volta da Arena.
Por isso, quando se voltou a negociar, a Caixa foi colocada no jogo, porque era parte interessada.
Como a OAS está em recuperação judicial, uma das premissas do Grêmio nessa negociação é que a compra da Arena tem que ser aprovada na assembleia dos credores da OAS. Se os credores aprovam, o Grêmio fica livre de sucessão. Mas se isso não ocorrer, eles terão que achar outra forma. Os oito envolvidos já concordaram, mas ainda não assinaram.”
É este pepino que Romildo e seus pares tentam resolver antes do final do ano.