Leis de Murphy
O Inter conheceu ontem, na derrota de 2 a 1 para o Peñarol, no vira-vira espantoso, uma das mais famosas leis de Murphy, aquela que diz que "se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível".
Havia 11 jogos que o Inter só fazia vencer em casa pela Libertadores. A última derrota aconteceu em 1993. Falcão não conhecia o insucesso neste seu retorno ao Beira-Rio, embora, analisados agora, os resultados fossem um indicativo de uma tragédia iminente. Relembrado: pelo Gauchão, vitórias de 1 a 0 sobre o Santa Cruz e 2 a 1 contra o Juventude e empate contra o Grêmio, com classificação nas penalidades, e, pela Libertadores, vitória sem brilho por 2 a 0 sobre o Emelec, um empate contra o Peñarol em 1 a 1.
O Inter de ontem começou bem. Logo a 1 minuto, Oscar abriu o placar. O que se viu depois foi um time jogando um futebol de toque-toque infrutífero, estéril, aborrecido, robótico, desprovido de agudeza, repetindo o primeiro tempo do Gre-Nal.
Veio o segundo tempo e, com ele, a desgraça. Aos 5 minutos estava decretado o vira-vira. É nestas horas que entra o treinador. Aos 13, para espanto geral, Falcão sacou Andrezinho e Oscar, promovendo a entrada de Tinga e Ricardo Goulart. Oscar por Ricardo Goulart... Imagino a estupefação de Sobis, o atacante que resolveu as coisas contra o São Paulo, em São Paulo, e tirou o time do sufoco, no ano passado, na final contra o Chivas. Pois o experiente Sobis, o homem afeito à pressão, viu um garoto, uma promessa, entrar num caldeirão. Falcão, que já errara nas substituições dominicais contra o Grêmio, errava novamente. Sobis entraria, sim, quase aos 30 minutos.
O Inter de Falcão tem sido o mais acabado exemplo de como a exibição de técnica, toques, passes e malabarismos pode ser inócua. Num clube que certa vez mudou não mudando, este Inter joga não jogando.
