Hiltor Mombach

Liga das Canelas Pretas

Os jornalistas Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior estão lançando,
pela editora LeYa, o Guia Politicamente Incorreto do Futebol. Compre e se
delicie. Um dos capítulos é reservado ao racismo, um dos assuntos do
momento. Trecho.
“No Rio Grande do Sul, o veto do Internacional à entrada do Rio-Grandense
– time formado por negros – na Liga Metropolitana motivou o surgimento de
outra competição paralela, no início da segunda década do século. Chamada
jocosamente de Liga das Canelas Pretas por causa da cor (não só) das
pernas dos jogadores, durou até os anos 20, quando começaram a ser
promovidos os primeiros duelos com os times de brancos.
O Esporte Clube Ruy Barbosa lançou o desafio para arrecadar fundos e
perdeu. O Grêmio, conhecido como “escrete branco”, também perdeu. Foi o
que bastou para os outros clubes fazerem um arrastão nos elencos da Liga
das Canelas Pretas, que acabou extinto por falta de jogadores.
A exceção foi o Grêmio, pois uma cláusula em seu estatuto previa a perda
do terreno, doado por alemães, onde o clube jogava, caso fossem aceitos
jogadores negros.10 Restrição derrubada somente na metade do século
passado, com a contratação de Tesourinha, atacante do Vasco, em 1951.”