LUIGI / PARCERIA É O CAMINHO
Entrevista concedida ao repórter Fabrício Falkowski.
Por que o senhor indica a parceria com uma construtora como solução para o impasse?
Porque é o melhor caminho para o Inter. Quando assumi, fizemos um grupo de trabalho para analisar o autofinanciamento da obra. Era preciso uma análise técnica, sem preconceitos. Chegamos à conclusão da impossibilidade de o Inter manter um fluxo de caixa que suporte as exigências da obra. É claro que o melhor negócio é sempre ter dinheiro. Até para comprar uma gravata! Mas não é o caso, infelizmente. A parceria é um excelente negócio, além de ser o único viável.
Até quando o Inter pode suportar, com recursos próprios, a continuidade da obra?
Não gostaria de falar sobre isso. Mas afirmo que o clube não consegue fazer frente aos gastos da reforma. Disse após uma entrevista coletiva que o clube não conseguiria arrecadar o suficiente para ter a verba necessária para finalizar as obras a tempo. Não tenho crítica alguma ao projeto Gigante para Sempre. Acho, inclusive, que é um belo projeto. O problema é a sua inviabilidade financeira para o Inter.
Por que a proposta da Engevix foi descartada?
No início do ano, quando nos deparamos com o problema, chamei o Vitorio (Piffero) para umas reuniões. Tínhamos de arrumar uma solução para as cobranças da Fifa, que exige, desde o ano passado, garantias financeiras de que podemos concluir a obra. O Vitorio, então, disse que havia essa proposta da Engevix. O problema é que essa empresa pegaria um empréstimo no BNDES que o Inter teria de pagar. Só adiaríamos o problema. Além disso, teríamos de dar garantias de pagamento, colocando em risco o patrimônio do clube.
Mas o Beira-Rio ficaria pronto para a Copa?
Sim. Em dois anos, estaria pronto. E para mim, até poderia ser uma solução confortável, pois o empréstimo tem uma carência de três anos para pagar. Ou seja, eu faria a obra, cortaria a fita e deixaria para o próximo presidente pagar a conta. No entanto, nunca faria isso. Por isso, a proposta não foi aceita. Tenho responsabilidade.
Há dois anos, o Inter conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo. Houve muita comemoração dos dirigentes de época, principalmente do então presidente Vitorio Piffero. Mas de uns tempos para cá, o entusiasmo arrefeceu. Afinal, a Copa do Mundo é importante para o Inter?
Sim. Trata-se de uma oportunidade única para o clube, para Porto Alegre e para o Rio Grande do Sul. Temos de aproveitar esse cavalo encilhado e reformar o Beira-Rio para o conforto dos associados, aproveitando todas as obras que serão feitas no entorno. O Inter, como um todo, sofrerá um upgrade. E, apesar de as novas fontes de receita passarem para a parceira por um período de 20 anos, haverá um incremento de todos os negócios. Estudamos os casos da Alemanha e da África do Sul. A Copa é um grande negócio para o Inter.
A Fifa pode descredenciar o Beira-Rio da Copa?
Recebo ligações do Comitê Organizador Local da Copa todas as semanas. Eles querem as exigências desde o ano passado. Não é uma novidade, inclusive para aqueles que querem manter o modelo do autofinanciamento. O Inter, há muito tempo, comprometeu-se a sediar a Copa. Agora, vamos buscar uma forma de honrar esse compromisso.
Caso a Fifa descredencie o Beira-Rio, a nova Arena do Grêmio, que está sendo construída, pode ser uma opção para a Fifa?
Não quero pensar nessa hipótese. Acredito que o Inter irá cumprir a promessa que fez com os governos municipal, estadual e federal e ter o Beira-Rio pronto para a Copa do Mundo. O Conselho de Gestão tem trabalhado incessantemente na formulação de um novo modelo que atenda às necessidades do Inter para sediar a Copa do Mundo de 2014, sem comprometer a receita do clube, especialmente aquela destinada ao carro-chefe do Internacional, o futebol.
E se o Conselho decidir manter o modelo de autofinanciamento, considerado suicida pela atual gestão? O que será feito?
A decisão dos conselheiros será honrada. Por isso, democratizei esse processo decisório. Tenho consciência que é um problema que repercutirá nas próximas gerações de colorados. Mesmo se o Conselho optar pelo modelo que consideramos equivocados, empreenderemos todos os esforços para cumprir o prometido e aprontar o Beira-Rio.
