Após a vitória sobre o Confiança pela Copa do Brasil por 2 a 0, gols Após a vitória sobre o Confiança pela Copa do Brasil por 2 a 0, gols marcados no segundo tempo quando o Confiança, 15º colocado do Brasileiro da Série C, estava com um jogador a menos, o volante Arthur saiu em defesa do treinador português Luís Castro. Entre outras coisas, disse: "Ele não precisa provar nada a ninguém, olha a carreira dele, é um privilégio para nós trabalhar com ele”.
O italiano Carlo Ancelotti, um museu ambulante de taças, detentor de 30 títulos, cinco vezes da Liga dos Campeões (duas com o Milan e três com o Real Madrid), ganhador da liga nacional nos cinco principais países do futebol europeu, Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França, precisa seguir provando sua competência na Seleção do Brasil.
O terceiro episódio do documentário sobre Ronaldinho Gaúcho, que está no Netflix, traz uma afirmação do gênio do futebol ao final da carreira, quando estava no Galo, após a conquista da Libertadores: "Disseram que eu estava acabado"? Consagradíssimo, teve que provar suas qualidades até pendurar as chuteiras.
Arthur saiu do Grêmio, foi para a a Europa, de onde retornou para o Grêmio, e embora tenha uma carreira bem sucedida precisa provar a cada jogo suas qualidades.
O futebol de alto nível exige que se prove a qualidade a cada jogo. Há uma incrível pressão por resultados. Ao se avaliar o peso do histórico de um treinador ou jogador fica fácil perceber que são justamente os melhores os mais cobrados, o que precisam provar sempre o status alcançado.
Vivemos uma cultura de resultados. Hoje, craques em má fase são expostos ao linchamento via redes sociais.
Só os jogadores e treinadores acomodados não precisam provar nada para ninguém. E o futebol, um moedor de carreiras, não permite acomodamento.
Vejam esse texto de Nelson Rodrigues:
"O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: — a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente. Olhem em torno e vejam. É terrível. O passado irrompe numa gravata, num gesto, num sapato ou num colarinho."
Mesmo o gênio dos gênios, Pelé, tinha que mostrar a cada jogo que era Pelé. Doloroso fardo. Feito Sísifo, era obrigando a desfilar a cada partida suas habilidades desconcertantes, numa luta inglória porque, no próximo confronto, o mundo pedia que ele fizesse mais, numa cobrança sobre-humana. Duvido que alguém ousasse a dizer a Pelé que ele não precisava provar mais nada quando foi contratado pelo New York Cosmos. Pelo singelo motivo de que nos EUA Pelé precisaria provar que era Pelé.
Luís Castro, assim como Ancelotti, Ronaldinho, Pelé...
Mesmo o gênio dos gênios, Pelé, tinha que mostrar a cada jogo que era Pelé. Doloroso fardo
