Sexta-feira, coletiva do treinador Vanderlei Luxemburgo. O repórter da Rádio Guaíba Ciro Götz pergunta o que está faltando para o Miralles ser titular do Grêmio. A pergunta é oportuna e tem lógica: o argentino entrou bem nas duas últimas partidas e marcou dois gols, um em cada. Resposta: "Talvez você ser o técnico. É só vir para cá, vem, pode ficar nesta cadeira".
Não entendi a canelada de Luxemburgo no garoto. Desnecessária. Fui entender depois de ler o blog do querido Mário Marcos (mariomarcos.wordpress.com), de 23 de março. Abaixo, trechos.
"Preste atenção nas entrevistas coletivas de Vanderlei Luxemburgo: mesmo naquelas perguntas aparentemente inocentes, simples, ele começa contestando, às vezes rindo, outras vezes brincando com o repórter, mas sempre passando a ideia de divergência - e só depois desta abertura segue na resposta.
Na noite de quarta-feira, isso ficou claro. Um dos repórteres de rádio quis saber sobre as aparentes dificuldades do meio-campo no jogo com o River Plate. Luxemburgo riu e, em seguida, contestou, lembrando que não se deveria apenas ficar nas críticas sem pensar nas cinco vitórias do time e no fato de que ele está bem melhor agora do que no início do trabalho.
Logo depois da contestação, ele fez uma minuciosa análise crítica dos equívocos do meio-campo. Foi bem além dos erros citados pelo repórter. Ou seja: foi muito mais crítico. Chegou a dizer que o meio-campo tinha sido frouxo demais, causando com isso dificuldades para a defesa na partida que classificou o Grêmio para a próxima fase da Copa do Brasil.
A estratégia faz parte das lições de um dos cursos que ele fez de Midia Training, aqueles encontros que preparam personalidades para o contato com a imprensa, inclusive com simulações de entrevistas. Desde os tempos da Seleção, Luxemburgo usa o que aprendeu nesses encontros: quando alguma pergunta incomoda ou pode gerar desvios na interpretação, ele contesta, na intenção de desestabilizar o repórter - especialmente os menos experientes.
Não há nenhum problema nisso, é um treinamento que faz parte dos tempos modernos e indispensável para profissionais que têm contatos praticamente diários com a imprensa. Tanto não há embaraços que as entrevistas de Luxemburgo costumam ser tranquilas - assim como as de Dorival, com a diferença de que o técnico do Inter não utiliza estes recursos do Midia Training.
Eu mesmo fui ""vítima"" desta estratégia."
