Hiltor Mombach

Mata-mata, o velho assunto. De novo

Falei sobre a sétima conquista do Brasileiro pelo Corinthians desde 1990.
A quarta depois que o campeonato começou a ser disputado por pontos corridos.
Disse pouco ou quase nada e retomo o assunto.
A coluna que segue foi escrita faz tempo.
Não há muito para se atualizar. Vamos lá.
“Todos sabem que sou favorável ao sistema mata-mata e sei que estou na contramão da maioria.
Como bairrista convicto, quero ver outra vez um time gaúcho campeão.
Quero uma fórmula que imite o Brasil: quanto mais injusta e formulista, melhor!
Todos sabem que querer não é poder e que vou ficar querendo.
Quero uma fórmula tão injusta quanto à distribuição das cotas da TV, onde os apadrinhados levam R$ 100 milhões/ ano e o resto a metade ou menos do que isto.
Os três oceanos que separavam Inter e Grêmio dos preferidos da TV no quesito financeiro foram transformados em dez. E chamam este disparate de igualdade!
Quero uma fórmula de Brasileiro que imite a fórmula da TV na escolha dos jogos transmitidos ao vivo: perversa com a maioria, protetora de Flamengo e Corinthians.
Este Brasileiro é desigual até na distância. Uma das edições foi disputada por seis times paulistas: Corinthians, Santos, Palmeiras, São Paulo, Barueri e Santo André.
Enquanto as equipes dos demais estados se esbagaçavam em viagens massacrantes, os de São Paulo faziam turismo doméstico.
O sistema de pontos corridos foi aprovado em dezembro de 2002.
De lá para cá o Inter empilhou títulos no mata-mata, entre eles duas Libertadores, um Mundial/Fifa e uma Sul-Americana.
Aqui, acontece um fenômeno notável.
Até então bambambã em mata-matas, o Grêmio viu ruir a sua reputação desde 2002, mais por culpa do caso ISL.
Com apenas dois clubes grandes, Inter e Grêmio, o RS conquistou dez títulos nacionais (Brasileiro e Copa do Brasil) até 2003, média de cinco para cada clube.
Os quatro grandes de São Paulo (Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo) haviam conquistado 17, média de 4,25 por clube; os quatro do Rio (Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo) 15, média de 3,75 e os dois grandes de Minas, Cruzeiro e Atlético, cinco, 2,5 cada.
Na era dos pontos corridos, não faturamos nenhum Brasileiro e lá se vão 11 edições.
Vimos SP levantar seis taças, RJ três e MG, duas.
Previ que não veremos um gaúcho campeão nos próximos 100 anos com esta fórmula. Faltam 89.”
O Grêmio ganhou a Copa do Brasil em 2016, mas não levou o Brasileiro por pontos corridos.
É finalista da Libertadores, mas não levou o Brasileiro.
Previ que não veremos um gaúcho campeão nos próximos 100 anos com esta fórmula.
Faltam 85.
São Paulo tem agora nove canecos e Minas, três.
O Inter acabou sendo rebaixado em 2016.
Retornou agora.
Como bairrista convicto, quero ver outra vez um time gaúcho campeão.
Quero a volta do mata-mata.