Hiltor Mombach

Mente que eu gosto

Jogasse futebol no tempo do fraque, do espartilho e da escarradeira e a declaração de Carlos Eduardo passaria despercebida, valendo quem sabe notinha de rodapé de jornal. Os tempos atuais das redes sociais desnudam impiedosa e vergonhosamente o ser humano.
Neste tribunal virtual, julgamento e condenação se sucedem com frenética agilidade. Quem cai na rede está frito.
Havia uma mínima chance de Carlos Eduardo vestir a camisa do Inter.
Havia.
Até a divulgação de um vídeo amador feito por amigos nas praias do Caribe onde o meio-campista declara amor pelo Grêmio e ironiza o Colorado pela eliminação na semifinal do Mundial de Clubes de 2010, contra o Mazembe.
“Eles (Inter) foram com o título conquistado, só que não foi.”
Lembrando que Carlos Eduardo saiu para o Hoffenheim, da Alemanha, e depois para o Rubin Kazan, da Rússia, formado nas categorias de base do Grêmio.
E que até as borboletas de Tamandaré apostavam no bi Mundial do Colorado depois da façanha de 2006.
O comportamento de Carlos Eduardo foi de justificada espontaneidade.
Aqui, o problema: rotula-se de profissional o sujeito politicamente correto, repressor dos seus sentimentos.
Profissional é aquele que escamoteia a verdade, aquele que conhece a natureza humana, a frase feita que diz “mente que eu gosto”.