Mesmo em crise, o Gauchão sobrevive
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Mesmo em crise, o Gauchão sobrevive

Vai muito tempo rotulei o Gauchão de caravana da miséria

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Vai muito tempo rotulei o Gauchão de caravana da miséria.
passado muito longínquo Grêmio e Inter eram conhecidos como trem pagadores.
Nas visitas ao Interior arrastavam grandes públicos aos estádios.
Este tempo ficou para trás. Juventude e Inter teve apenas 6.136 pagantes e Brasil e Grêmio, 5.407.
Três dos quatro jogos da rodada de abertura, aqueles que não envolveram a dupla Gre-Nal, tiveram prejuízo. Só Pelotas x Novo Hamburgo deu algum lucro líquido, R$ 19,7 mil. 
Ypiranga x São José ficou no vermelho em R$ 510; São José x Esportivo em R$ 3,6 mil e Aimoré x Brasil em R$ 4,9 mil. O confronto Aimoré x Brasil foi realizado por portões fechados, sem a presença de torcida.
Pela segunda rodada, o encontro entre Novo Hamburgo e Ypiranga gerou uma renda líquida de R$ 1,9 mil; Caxias x São José, R$ 13 mil e Esportivo x Aimoré, R$ 1,5 mil.
No ano passado, quatro dos 12 participantes tiveram média de pagantes inferior a 700 pessoas: Zequinha, Veranópolis, Novo Hamburgo e Aimoré. Três (Avenida, São Luiz e Caxias), inferior a dois mil. Brasil e Juventude, que durante anos disputaram o título de maiores torcidas do Interior, não chegaram aos quatro mil.
Nenhum dos clubes do Interior terminou a fase de classificação de 2019 com renda líquida de R$ 1 milhão. Quem mais chegou perto foi o Juventude, que pelos sete jogos como mandante arrecadou R$ 791 mil. Menos do que recebeu da televisão, cerca R$ 1 milhão.
Quando ainda comandava a FGF, Noveletto se viu obrigado a mudar a fórmula do Gauchão com a seguinte justificativa:
“Dentro do que saiu na mídia, que querem acabar com os estaduais, temos que transformar o Gauchão numa Champions League. Se não tiver esse valor da TV, o que vai ser dos times do interior? Temos que ter união, porque pode ser o último. Estamos todos com a barba de molho. Vamos entregar o melhor produto possível”.
Um exagero daqueles. A edição 2018/2019 da Champions League contabilizou média de 48.050 pagantes e total de 6.486.729 de torcedores. A média de público do regional do ano passado ficou em 5.260 e total de 420 mil. 
Mesmo assim o regional resiste. Até quando? Minha intuição diz que até quando a televisão bancar. No Rio, o campeonato carioca entrou num impasse. O Flamengo não aceita a cota de R$ 18 milhões. Quer R$ 80 milhões. 
Para a TV, o futebol é um negócio, obviamente. Está em debate se vale a pena seguir pagando um bom dinheiro pelos estaduais mais importantes (Paulista, Carioca, Gaúcho e Mineiro).
Não vai muito, quando ainda era presidente da FGF, Noveletto informou que pelo Gauchão a TV gasta um total de R$ 40 milhões. Grêmio e Inter ficam com cerca de R$ 26 milhões deste valor.
Cada vez com menos espaço no calendário, o regional entra neste final de semana na penúltima rodada do primeiro turno.