Hiltor Mombach

Messi desperta profunda admiração. E uma inveja danada!

Messi não é um jogador. É uma seleção inteira. Admiração e inveja são sentimentos que se misturam neste momento.

Messi segue brilhando
Messi segue brilhando Foto : Ricardo Giusti / CP Memória

Coluna escrita na edição de 26 de junho de 2014. No dia anterior a seleção da Argentina havia jogado no Beira-Rio e vencido a Nigéria por 3 a 2.
Título: Fui ver Messi. E vi
"Fui ver Messi contra a seleção da Nigéria. Antes de prosseguir, transcrevo trecho de uma coluna antiga: “Toda tese, da mais obtusa à mais insana, viverá seu momento, mesmo que fugacíssimo, de confirmação e consagração.
Estamos diante de uma verdade irretocável. O insensato que duvidasse da genialidade de Pelé, colocando-o no rol dos jogadores medianos, diria, pelo menos uma vez: ‘Viu, eu não disse?’. Sim, até o rei teve dias de nada”.
Pois bem, fui ver Messi. Queria uma única vez ver Messi em dia de nada. O Beira-Rio estava como nunca, vestido quase todo de azul, e eu na carona dos brasileiros que foram apoiar os africanos.
A única chance de a Nigéria ter alguma chance era Messi não estar em tarde de gênio.
O árbitro mal apitara o começo da partida e Mascherano pifou Di Maria, que mandou um balaço. A bola resvalou por debaixo do goleiro Enyeama e deu um beijão no poste, retornando, domada, para os pés do seu domador abrir o placar.
Havia ido ver Messi e estava vendo. Por um tempo me concentrei apenas em perseguir o craque no gramado, na intermediária, um pouco mais pela direita, quase parado, como quem joga o anzol e espera o peixe morder a isca.
A bola demorou, mas descobriu sua solidão e foi fazer companhia. Ele arrancou, driblou dois e acabou derrubado. Acariciou a pelota, colocou-a no gramado perfeito e macio, e mandou ver. A bola subiu e, como se fosse um brinquedo acionado por controle remoto, desceu, quase no ângulo: gol.
Havia ido ver Messi e estava vendo. Na saída, agradeci ao futebol por nos ter dado gênios como Messi.
O selecionado do Papa está bem servido."
"O tempo passa, o tempo voa". Não para Messi
É do publicitários Sergio Reis o slogan “o tempo passa, o tempo voa” criado para um antigo banco. Sergio Reis faleceu recentemente. Passaram-se 12 anos do jogo em que Messi brilhou no Beira-Rio.
Neste período Messi conquistou, com a Argentina, o Mundial de 2022.
Ei segue fazendo história.
O argentino chegou a 16 gols em Copas do Mundo nesta terça-feira, ao fazer três gols em Argentina x Argélia.
Está igualado ao alemão Klose como o maior artilheiro da história do Mundial.
É a primeira vez que Messi marca três gols em um jogo de Copa, se tornando o mais velho jogador a anotar um hat-trick no torneio.
Messi não é um jogador. É uma seleção inteira. Admiração e inveja são sentimentos que se misturam neste momento. Admiração por ver um dos maiores jogadores de todos os tempos dando show. Inveja porque não temos nada parecido no Brasil.