Hiltor Mombach

MEU PESSIMISMO

Sou um pessimista convicto.
Afinal, vivo no Brasil.
Quero um Brasil melhor, mas querer não é poder.
Quero um time gaúcho campeão do Brasileiro por pontos corridos.
Quero morder a língua.
Quero entrar para o panteão como a negação de Nostradamus, o anti-Nostradamus.
Quero e vou ficar querendo.
Há 12 anos profetizei que, com o advento dos pontos corridos, não veríamos Inter e Grêmio comemorar o Brasileiro nos próximos 100 anos.
Faltam 88.
Há previsões que você faz e torce para errar.
A sentença se deu em 2003, quando da extinção do mata-mata e da aprovação da fórmula atual.
De lá para cá os paulistas ficaram com seis canecos, os cariocas com três e os mineiros com dois. Minha intuição de pessimista convicto diz que o Inter não ganha do Cruzeiro neste sábado.
Pode empatar, mas empatar é péssimo negócio em termos de caneco.
Só a vitória manterá o Inter na briga pela taça e, mesmo assim, ainda três pontos atrás da Raposa.
Não ganha por diversos motivos.
O Cruzeiro é mais regular e joga no Mineirão, onde mantém um tabu de 27 anos sem perder para o Inter.
A última derrota foi na semifinal da Copa União de 1987, gol de Amarildo, diante de 59.923 atônitos cruzeirenses.
O estádio estará entupido outra vez hoje.
D’Alessandro só tem sido craque em Gre-Nais.
Quando Sasha encaixou, seu tornozelo desencaixou.
O sistema defensivo de Abel não é recomendado para colorados cardíacos e o futuro titular do ataque, Nilmar, nem no banco estará. Mas, e há sempre um mas em tudo, a lógica do futebol é que o futebol não tem lógica.
Quem já bateu o Barcelona e levantou um caneco de campeão do Mundo/Fifa tem cacife para me desmentir.
Quero ser desmentido.
Quero morder a língua no anoitecer deste sábado.
Quero escrever na segunda-feira que o Inter ainda está na briga.
Quero um gaúcho outra vez campeão do Brasileiro.