Hiltor Mombach

Meu querido RS despencou

Cristalino ignorante seria se colocasse o Inter entre os favoritos. O Grêmio nem na Série A estará

Sou um obsessivo confesso e retomo uma frase de Nelson Rodrigues:
“O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente”.
O grande acontecimento antes da bola rolar pelo Brasileiro era a escolha dos times favoritos.
No glorioso Terceiro Tempo da Rádio Guaíba um timaço de analistas elencava seus prediletos.

Bairrista assumido, corria para os principais jornais convicto de que os especialistas do centro do país colocariam Grêmio e Inter entre os bambambãs.
Quando isto não acontecia eu, espantadíssimo, debitava na conta de cristalinos ignorantes.
Estes desconheciam ou relegavam o RS por ser um estado que despenca do mapa.
Pouco se fala sobre o Brasileiro que começa dia 10.
Os favoritos surgem tão favoritos que nenhum vidente se atreve a contestá-los.
Dias atrás, um Nostradamus tupiniquim cravou: dará Galo! Bidú!
Até em Cabul a bicharada é favorita.
Falo de Galo, Porco e Urubu.
O patético é que meu bairrismo calou.
Cristalino ignorante seria se colocasse o Inter entre os favoritos.
O Grêmio nem na Série A estará.
Meu querido RS despencou de vez.
Do mapa do futebol.