Hiltor Mombach

Milton ficou contente quando Ranzolin, chefe de esportes da Guaíba...

Sessão de autógrafos no dia 15 de novembro, às 17h30min, na Praça de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre.
De presente aos leitores, um capítulo.

8? ?–? ?Copas? ?do? ?Mundo
Milton Ferretti Jung é um veterano em Copas do Mundo. Na de 50, porém, sua
ligação com o futebol resumia-se às peladas com os companheiros. Ele assistia a
um filme, no cinema Eldorado, quando esse foi interrompido para que um speaker
informasse que o Brasil perdera a Copa para o Uruguai. Em 1954, ouviu pelo rádio a
vitória da Alemanha sobre a Suíça. Em 1958, já na Rádio Guaíba, festejou a vitória
brasileira na final, contra a Suécia.
Escutei os jogos, narrados por Mendes Ribeiro. Depois, percorremos as
congestionadas ruas do centro de Porto Alegre, rodando com o Oldsmobile do pai
de Pedro Carneiro Pereira.
Ele ainda trabalhava na rádio Clube Metrópole. Como narrador da Guaíba, fez na
Alemanha a primeira Copa do Mundo. Em 78, na Argentina, Milton estava inscrito
mas não quis ir, e narrou apenas um jogo, Itália e Suécia, fez uma viagem especial
porque estava faltando gente. Já no México, em 1986,na condição de narrador
titular da Guaíba, não teve o prazer de vibrar com uma vitória brasileira. Ganharam
os argentinos. Conforme ele mesmo destaca, nem foram tantas Copas assim em
uma carreira tão longa.
Milton ficou contente quando Armindo Antônio Ranzolin, chefe de esportes da
Guaíba, o escalou para trabalhar na Copa da Alemanha. Ele tinha muita vontade de
conhecer a terra dos seus antepassados.
Ruy Carlos Ostermann e eu viajamos para Frankfurt, onde o Brasil jogou na primeira
fase do Mundial. Nessa viagem, fizemos uma escala em Paris. O nosso avião se
atrasou e o que nos levaria até Frankfurt já tinha partido quando desembarcamos
nessa cidade. Com sorte, conseguimos embarcar para o nosso aeroporto de destino
em outro voo. Já com o traseiro doendo depois de mais de dez horas de viagem,
descemos do avião e fomos em busca de nossas bagagens num dos terminais do
aeroporto. Dessa vez, logo na minha primeira viagem para mais longe de casa, eis
que as nossas bagagens não nos acompanharam. À noite, em um palacete, a FIFA
receberia jornalistas de vários países com um jantar. Era para já estar quente na
Alemanha, mas fazia um friozinho danado e garoava. Eu estava só com a roupa
com a qual havia viajado. As demais, até então, em lugar incerto e não sabido. No
outro dia, a bagagem foi recuperada.
Na Alemanha, Milton acompanhou a Seleção Brasileira na maioria dos seus
deslocamentos pelo país. Não conheceu, porém, nenhum Jung. Em compensação,
sempre que ia a um banco de Frankfurt para sacar dinheiro, o atendente repetia
incansavelmente que em seus sobrenomes, o por parte de mãe – Ferretti e o
alemão Jung, herdado do bisavô – havia muitas contas.
A equipe esportiva da Guaíba ficou bom tempo em Frankfurt enquanto o Brasil não
precisou trocar de base. Ruy Carlos Ostermann e o Milton ficaram para trás e
precisaram viajar em um BMW alugado.
Com ele, viajar de um local para outro por autobahn, mesmo que fosse um pouco
mais longe que as viagens feitas de avião, era um prazer. Se no Brasil a velocidade
máxima mais alta é 120 km por hora, na Alemanha, para usar uma velha expressão,
é café pequeno, lá 160 é comum. Em uma dessas autobahns ,tínhamos de sair da
estrada e em cada placa que encontrávamos o nome era o mesmo. O Ruy, com
algum conhecimento da língua germânica, entendeu que deveríamos entrar na
primeira à nossa frente. Eis que, abaixo de uma elevada, havia um hotel e, por puro
acaso, era aquele onde o restante da nossa equipe se hospedava. Claro que fomos
gozados pela babaquice.
O jogo mais marcante que o Milton narrou em toda a sua carreira foi justamente
durante a Copa da Alemanha. em 1974, em Hannover, entre a seleção da Suécia e
o time da casa.
Me marcou por que a gente fazia muito tubo naquele tempo. Eu só tinha feito jogos
da Alemanha pelo tubo, aquele foi o primeiro jogo que eu tive a oportunidade de
narrar ao vivo. O estádio é outra coisa. O tubo não tem graça nenhuma. Mas aí é
que eu fui conhecer os jogadores da Alemanha, que eu via pelo tubo. Eu pude ver a
qualidade do time que estava jogando e isso me marcou