Hiltor Mombach

MIMETISMO, CAMUFLAGENS, OSMOSE E QUE TAIS


Por Antonio Carlos de Azambuja


Conselheiro Jubilado do Grêmio



Surpreendente a avalancha de apoios entusiasmados à simples noticia da intenção da atual direção do Grêmio em “comprar” o Estádio Arena.


À parte a esquisitice da aquisição de algo que, segundo é voz corrente, já é do Clube, com frequentes crises de nervos dos que afirmam isso contra os que o negam a cada nova aparição do tema nas mídias, causa perplexidade a notória, extraordinária, transformação pela qual passou a opinião de Conselheiros e Associados sobre a excelência do Projeto Arena.


Evidencia-se que, na adesão incondicional à mera idéia da mudança radical no negócio primitivo, reside uma censura explicita, senão uma crítica de considerável proporção, àquilo que foi firmado em dezembro de 2008 pela direção do clube, com aval - por suposto – do seu  Órgão maior e soberano.


O inusitado reside no fato de que, desde aquela vinculação e até o momento em que a atual direção começou a, com lanternas, vasculhar os sótãos do acerto com a empreiteira e a prospectar os resíduos do que, efetivamente, sobrou daquelas Reinações de Narizinho, a aventura Arena, devidamente cristianizada pelos interessados, só vinha colhendo adeptos, parceiros, louvadores e similares.


Inclusive defendida por tropas de choque nas áreas virtuais, um verdadeiro exercito Ponto-Com dos interesses dos envolvidos diretamente na proposta e na execução do empreendimento de Humaitá.


Desenhado como maravilha e sistematicamente apresentado em technicolor e som estéreo, entre seus protagonistas encontraram-se atores formidáveis de nossa cena pública, até institucionais como a Fundação Getúlio Vargas, que tudo previu e profetizou, vaticinando abundância de benesses até o fim dos tempos.


O incrível é que, entre aqueles que ora militam ostensivamente na investigação dos males dessa verdadeira “viagem” em que o Grêmio se meteu, com mais denodo e virulência encontram-se alguns que lideraram o processo de empulhação e ilusionismo anterior.


Com efeito, há dirigentes que comandaram, por tempo expressivo, o processo de encaminhamento dos trâmites jurídicos, políticos e administrativos do Negócio e que, de alto e bom som, exaltaram-no, apresentando-o ao público, em todos os púlpitos, quotidianamente e por vasto período, como a redenção tricolor.


Um pretenso candidato à presidência atual chegou a dizer, em plenário, quando Dr. Koff desnudou alguns dos desvios ocorridos e propôs modificações, é que ele, Conselheiro, inadmitia que tivesse votado errado na ocasião da aprovação.


Houve, outrossim,  episódios infelizes, para não dizer ridículos, como um discurso inaugural em que a autoridade chamou aos adversários do Projeto Arena – tão gremistas quanto ela – de “secadores”.


O mais patético é que, justamente esse, mudando de lado, hoje se alinha entre os que tratam de remendar toda aquela patacoada, exercendo funções importantes no que sobrou desse imbróglio.


Virou mocinho, xerife.


Em outra ocasião, patrocinou-se, com amantíssimos torcedores distraídos e inconscientes, uma jornada de fé,  um percurso pedestre e ciclístico entre Medianeira e  Humaitá,  como se fora rumo à terra prometida, abrindo o Mar Vermelho, um Exodus gaudério.


Um legitimo “case” publicitário.


E que dizer dos que, figurinhas seladas, por anos se exibiram, fagueiros, em todos os canais de radio e televisão, apregoando o que simplesmente só queriam e não conheciam.


Pois hoje são muitos daqueles que, eufóricos, saudam o sonho do remendo, como se nada tivessem a ver com o que está ai.


Mimetistas, camuflados e osmóticos.


Finalmente, a lamentar somente que, aqueles poucos que muito lutaram, nesse tempo, para investigar e apurar a verdade, tentando evitar, quem sabe, essa debacle ora em perspectiva, tivessem sucumbido no caminho, tão vilipendiados e ofendidos foram.


Ave amigos do extinto Gremio Acima de Tudo (MGAT), um núcleo de resistência, um Álamo redivivo.


A Martini, a Gladimir, a Deitos, a Jacobus, a Gudolle, a Fadel, a Antunes,a Sanchez, a Jacobsen, a Amarelinho, a Paulo Afonso, a   Carlos Gomes, à Sônia, a Vidal, a Moussale, a Julio Lopes, a Dorneles, a Wilmar Silveira, a Ballestrin, a Ivo Fernandes e a todos demais aqui lamentavelmente não enunciados, com os quais, em muitos e prazeirosos dias convivi na busca de saídas para esse enorme problema do Grêmio, muito obrigado por terem tido a coragem de dizer não e de lutar para a retomada do caminho de nossa história, rumo a  mais cem anos.


Sem loucuras.