Alguns mistérios desafiam o meu raciocínio e escancaram a minha ignorância.
Além de uma puerilidade absurda.
Ignorante, e um tanto angelical, tenho imensa facilidade em elucubrar soluções e dificuldade em entender esta burocracia que empresta um tipo de blindagem ao ser humano.
Vamos aos fatos.
Uma comunidade carente aguarda entre aflita e esperançosa pelo cumprimento de um contrato, a realização de obras no entorno da Arena. Lá se vão seis anos.
Neste tempo a OAS quebrou, pediu recuperação judicial, e as decisões dos gabinetes só fazem postergar uma solução.
Acompanhem meu raciocínio.
É provido de uma lógica pueril e inocente que caracteriza as crianças.
Há uma empresa chamada Karagounis.
É responsável pelos empreendimentos imobiliários do complexo Arena.
Precisa realizar as obras no entorno para obter o habite-se de cinco das sete torres (no total são quase mil apartamentos).
Há a prefeitura de Porto Alegre que precisa aprovar todos os projetos, orçamentos e garantias apresentados pela Karagounis.
E há o Ministério Público que aceita ou não as garantidas dadas pela Karagounis.
Até aqui, tudo bem.
Acontece que a Karagounis apresenta o projeto, a prefeitura concorda e o Ministério Público diz que as garantias são insuficientes.
Cada um está fazendo seu trabalho.
Isto eu entendo.
Acontece que entre a apresentação do projeto, aprovação pela prefeitura e o parecer do MP demanda sempre muito tempo.
Enquanto isto uma comunidade carente aguarda entre aflita e esperançosa.
Na minha ingenuidade, pensei se não seria possível Karagounis, prefeitura e MP tratarem todos o assunto como de máxima urgência e, juntos, numa mesma sala, analisarem as garantias dadas até que sejam suficientes.
Pode levar um dia, dois, uma semana...
Mas, como eu digo, as entidades são complexas.
Assim como os seres humanos.
E a burocracia mais complexa ainda.
