Hiltor Mombach

Minha paranoia

Uma das máximas do Barão de Itararé diz que “este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.”
As histórias se repetem cansativamente, assim como os clichês, tornando-me cada vez paranoico.
Sou um sujeito perseguido pela paranoia.
Não vai muito o repórter Rafael Alaby Martins Ferreira assinou matéria para o UOL.
Tratava do times que teriam mais jogos transmitidos pela Globo até a 10ª rodada do Brasileiro.
Começava assim: “O Flamengo, tradicionalmente o “queridinho” da Globo por ter a maior torcida do Brasil e uma das maiores audiências...” O UOL é do grupo Folha.
Sempre que escrevo que o Flamengo é o queridinho da Globo sou rotulado de bairrista.
Não sou o único a padecer de tal síndrome. A direção do Santos também.
Assim como a do Fluminense. Suspeito que só o outro queridinho da Globo não sofra de tal síndrome. Falo do Corinthians.
Audiência gera prestígio e muito dinheiro. Juntos, Flamengo e Corinthians têm 61 milhões torcedores no país. A CBF teme a Globo, ao mesmo tempo é sua parceira.
Assim, por tabela, Flamengo e Corinthians são os queridinhos da CBF.
No Brasileiro do ano passado um dirigente do Fluminense acusou um repórter da Globo de “proteger o clube do coração”.
Leia-se Flamengo. Agora foi a vez do Santos berrar. O time venceu o Flamengo por 4 a 2 na Vila Belmiro nesta quarta-feira, mas foi eliminado da Copa do Brasil pelo critério de gols marcados fora de casa.
Após uma agonia que durou 1min11s o juiz voltou atrás na marcação de um pênalti para o Santos, que em nota berrou:
“Novamente, estamos diante de um caso em que o árbitro revoga sua marcação por comunicação do quarto árbitro, cuja participação teria sido provocada pelo repórter de campo... da Rede Globo de televisão.”
Como escrevi no primeiro parágrafo, “este mundo é redondo, mas está ficando muito chato”.
Esta minha paranoia é uma chatice.
Quando o assunto envolve Flamengo e Corinthians, vejo pelo em ovo, procuro chifre em cabeça de cavalo.
Não bastasse a minha síndrome do pânico (o livro vai sair, esperem!) sou perseguido por esta maldita certeza de que os queridinho são sempre favorecidos.