Hiltor Mombach

Minhas profecias

Se o assunto é futebol as profecias têm vida curta.
Porque, como diz o filósofo Rafael Bandeira dos Santos, o futebol é dinâmico.
Assim, quem se mete de pato a ganso, os Nostradamus de plantão, como eu, correm o risco de se dar mal.
Uma das minhas profecias era de que o Brasileiro ia virar um Paulistão.
A música diz: “E passo a passo vai cumprindo a profecia / Do beato que dizia que o sertão ia alagar / O sertão vai virar mar”.
Hoje, porque amanhã é outro dia, acho que o sertão vai virar mar antes do Brasileiro se tornar um Paulistão.
O Palmeiras é o único a subir da Série B e a Ponte Preta está virtualmente rebaixada.
Minha outra profecia continua valendo, a de que com a fórmula de pontos corridos nenhum clube gaúcho levantará taça pelos próximos 100 anos.
Faltam 89 anos para se cumprir.
Também profetizei que, diante da ausência de títulos no Brasileiro, os torcedores de Grêmio e Inter, de Inter e Grêmio, passariam a comemorar na avenida Goethe vaga para a Libertadores.
Acho que este dia está chegando.
Estarei vivo para ver.
No dia em que a Goethe estiver pintada de azul ou vermelho para comemorar vaga na Libertadores estaremos atingindo o auge da síndrome do coitadismo, assumindo nossa inferioridade futebolística.
Nós, gaúchos, que algumas décadas demos de relho.
Mas percebam, amigos, como já estamos conformados com isto.