Hiltor Mombach

Minhas síndromes

Escrevo depois das duas penalidades escandalosas sonegadas ao Inter contra o Flamengo, de assistir atônico ser anotada uma penalidade inexistente contra o Grêmio e a favor do Corinthians e de ver um gol legal anulado e uma penalidade sonegada ao Inter contra o Santos. Cinco erros. Todos contra nós.

Estou desenganado. Meu caso é terminal: paranoia crônica. Sofro de várias síndromes: perseguição, pânico e isolamento. Abri minha memória ao meu psiquiatra em busca da origem da doença. Foi na década de 90. O Grêmio dava as cartas no futebol brasileiro e a imprensa do centro do país se apressou em montar estatísticas na ânsia de provar que o time era o time mais violento do país. Colocou o representante gaúcho na mira da arbitragem. Criou-se um rótulo de que não apenas do Grêmio, mas o futebol gaúcho, era violento. Tal rótulo fica engavetado ou é desprezado quando Corinthians e Flamengo estão na ponta do Brasileiro, mas é rapidamente desengavetado quando a dupla belisca o topo.
O tempo passou, trocou o calendário, e rebaixaram Grêmio e Inter para o segundo escalão no quesito cotas da TV. Veio o Brasileiro de 2005 e com ele a síndrome do pânico, um pavor intenso e repentino de que jamais uma equipe gaúcha levantaria uma taça nacional. O Inter era furtado pela lavanderia Corinthians/MSI, de Kia Joorabchian e do magnata russo Boris Berezovski.

Moramos num estado que parece despencar do Brasil. Falamos para nós mesmos. Mesmo isolados, ou talvez por esta bravura indômita dos que se sentem relegados, temos proporcionalmente mais títulos dos que tentam nos subjugar, conquistas de um tempo de altivez e insurreição. Hoje o tempo é submissão. Aceitamos o jogo dos pontos corridos como quem acredita no conto da carrochinha. Em tempos de Legalidade, sonho com um levante. Que não virá. Inter e Grêmio aceitaram a condição de coadjuvantes.

A ousadia dos que conspiram contra o futebol gaúcho só faz aumentar diante do conformismo dos dirigentes: aceitamos ser vergados ao terceiro escalão na cotas de TV. O tempo em que Rubens Hoffmeister brigava a socos pelo futebol gaúcho, passou. Hoje, é só silêncio e concordância. Dos clubes e da FGF.