Hiltor Mombach

MOMENTO DIFÍCIL / UMA AVALIAÇÃO PARA SER LIDA

MOMENTO DIFÍCIL / UMA AVALIAÇÃO PARA SER LIDA

Por Gabriel Pauli Fadel
Presidente do Grêmio Acima de Tudo

Mais uma vez nos encontramos apreensivos, o nosso Grêmio não está atualmente na situação que a sua grandeza determina. O que fazer? Como dirigente do MGAT, junto com outros, fiz minha parte, a de colocar ao Presidente do Clube nossas preocupações, propondo medidas que entendíamos deveriam ser tomadas com presteza.
Porém, neste momento em que ainda vivo a tristeza do resultado de um jogo no qual o Grêmio, no primeiro tempo, parecia que havia reencontrado seu caminho, passo a pensar na história recente do nosso Clube e tomo consciência de que o problema não é atual, vem de mais tempo.
O Grêmio está a necessitar de uma ruptura administrativa, assim como ocorreu quando da gestão do grande Presidente Hélio Dourado que lançou o nosso Clube para os tempos modernos.
Ocorre que a partir daí nossas práticas não se renovaram, ainda que os tempos tenham mudado, tendo como marco divisor a Lei Pelé, que trouxe, além do fim do passe, uma presença mais ativa de empresários e procuradores no mundo do futebol. Por outro lado, passamos a viver numa sociedade em que o entretenimento veio a ter maior valor, fato que, aliado à globalização, especialmente da mídia, transformou o futebol em algo extremamente caro e valioso.
Para se viver nesse “novo mundo”, então, necessário era que se tivesse plena compreensão das novas regras introduzidas pela Lei Pelé, além de se aprender rapidamente a conviver de forma sadia com empresários e investidores.
É aí, no meu entender, que não acompanhamos o “trem da história”.
Num primeiro momento, distraídos com o dinheiro da ISL, não tivemos a melhor interpretação da nova legislação, pelo que continuamos a comprar passes de jogadores, passes que logo adiante não mais existiriam. Assim perdemos, inclusive, o maior jogador do mundo e até hoje pagamos dívidas relativas àquela época. Depois, nos afastamos de empresários e investidores, como se estes fossem “meros atravessadores”.
Perdemos tempo, e o Clube, se mais tarde buscou se adequar aos novos tempos, ficou prejudicado por não ter, no devido momento, a compreensão da realidade. Hoje, até nossa estrutura administrativa está atrasada.
As tentativas de atualização do Clube foram no sentido de não mais tratar-lhe como Clube, mas sim como empresa. Assim, com a equivocada mudança do Estatuto, o nosso Grêmio, que é essencialmente um Clube de Futebol, passou, inclusive, a não mais ter um Vice-Presidente de Futebol, ainda que tenha outros seis que formam, junto com o presidente, um Conselho de Administração, confundindo-se estrutura de Clube com a de sociedade anônima. A tentativa de modernização “empresarial” também levou à contratação de um dirigente de futebol remunerado. Todavia, esta experiência salientou o equívoco. O Clube exige a emoção do associado. Porém, ainda que vislumbrado o erro, nada foi alterado em termos administrativos e estatutários, pois simplesmente o futebol passou a ser dirigido por um assessor que, salvo eventual acúmulo de funções, sequer participa do festejado Conselho de Administração, como se o futebol fosse estatutariamente algo de menor importância em relação a outros setores do Clube.
Assim, espero que os erros do passado nos sirvam de lição e imediatamente o Grêmio passe a ser gerido como um Clube moderno, fazendo-se as rupturas necessárias para que volte a ter a grandeza de sua torcida e de seu passado.

Hiltor escreve
: observações lúcidas e pertinenes. O Grêmio conta com bons dirigentes, mas não acompanhou o trem da história. O Conselho de Administação, como está, é um equívoco.