Hiltor Mombach

Morre Fernandão

Morreu Fernandão.
O futebol perde um ídolo.
O torcedores do Inter, um dos seus maiores ídolos.
Estamos todos de luto.
O Inter, o Grêmio, todos os clubes brasileiros, todos os que amam futebol.
O meia argentino D’Alessandro divulgou nota nesta sábado em que lamenta a morte do ex-jogador Fernandão em acidente de helicóptero no interior de Goiás.
“É muito difícil acordar com uma noticia assim e ainda não consigo acreditar no que aconteceu”, escreveu.
O camisa 10 lembrou os momentos marcantes ao lado do ex-atacante e ex-treinador colorado.
“Fernandão, ídolos não morrem...ficam eternizados na nossa memória...
Você sempre estará ao lado da gente, de cada colorado, em cada jogo, cada gol, cada título”, destacou.
O site do Inter traz a reportagem abaixo.

"Se perguntarem a um colorado qual o maior ídolo da história do Internacional, o nome de Fernandão aparecerá entre os mais citados. Fernando Lúcio da Costa foi simplesmente o capitão de duas das três maiores conquistas da história do Campeão de Tudo, o primeiro título da Libertadores e o Mundial de Clubes da FIFA, em 2006.
De quebra, ele marcou o gol 1.000 dos Gre-Nais logo em sua estreia.
O ex-jogador honrou a camisa vermelha em cada segundo que entrou no gramado.
O grito "Uh, Fernandão!", que ecoava nas arquibancadas do Beira-Rio, representava bem esta idoltaria.


O começo


Nascido em Goiânia, em 18 de março de 1978, Fernandão começou a jogar futebol nas escolinhas do Goiás, em 1990. Em 1995, o treinador dos juniores passou a comandar o time principal e promoveu Fernandão, então com 16 anos, ao grupo profissional.
Entre 1995 e 2001, o atacante ajudou o Goiás a conquistar cinco títulos estaduais, duas Copas Centro-Oeste e um Brasileirão da Série B.
Em 2001, o jogador se transferiu para o Olympique de Marselha (França), onde atuou por dois anos e meio.
2004, um divisor de águas na carreira.



Fernandão foi sondado por diversos clubes brasileiros.
Após analisar diversas propostas, ele escolheu o Internacional.
Quis o destino que a sua primeira partida pelo Colorado fosse um Gre-Nal.
No dia 10 de julho de 2004, Fernandão entrou no segundo tempo do clássico, sofreu a falta que originou o primeiro gol e marcou o segundo da vitória vermelha por 2 a 0.
O gol marcado pelo atacante era o de número 1.000 dos Gre-Nais.
“Isso me deu a certeza de que eu tinha feito a escolha certa e que muitas coisas boas estavam para acontecer”, declarou Fernandão.

Capitão América

E foi verdade.
Em 2006, o Inter realizou grande campanha e conquistou pela primeira vez a Libertadores da América. Fernandão foi o capitão e um dos principais destaques do time, com cinco gols marcados e sete assistências. Um destes gols ainda está muito vivo na memória dos colorados: foi na finalíssima contra o São Paulo, no Beira-Rio, onde o camisa 9 abriu o placar no jogo que acabou empatado em 2 a 2 e garantiu o inédito título. A imagem de Fernandão erguendo a cobiçada taça também está cristalina na lembrança de todos os torcedores do Clube do Povo.

O final do ano de 2006 reservava um desafio ainda mais difícil para o Internacional.
O Campeonato Mundial de Clubes da FIFA chegava com um favorito absoluto: o Barcelona, que contava com melhor jogador do mundo na época, o brasileiro Ronaldinho. Após vencer o Al-Ahly  por 2 a 1 na semifinal, o time Colorado credenciou-se para enfrentar os espanhóis.
A equipe gaúcha não deu ouvidos aos prognósticos pessimistas.
Decisão contra os catalães, o capitão Fernandão abdicou de sua função ofensiva para ajudar a equipe na marcação.
“Eu abri mão de querer aparecer naquela final.
Fui jogar no meio-campo e tive de marcar individualmente o Motta, um volante que dava um ritmo de jogo muito forte para o Barcelona.
Eu sabia que se fizesse isso, nós tínhamos uma chance de marcar um gol no contra-ataque”, declarou.
E foi justamente em um contra-ataque puxado por Iarley que Adriano Gabiru marcou o gol do título e o capitão Fernandão teve a oportunidade de erguer a taça mais importante da história do Inter.
Fernandão momentos antes de decisão do Mundial FIFA, em 2006Na temporada seguinte, o atacante fez parte do grupo que conquistou mais um título inédito: a Recopa Sul-Americana.
O ano de 2008 marcou o último título de Fernandão como jogador do Clube. Foi na em 4 de maio, na final do Gauchão, quando o Internacional aplicou uma impressionante goleada de 8 a 1 sobre o Juventude.De volta ao Beira-Rio
Fernandão exerceu cargos de diretor e técnico na sua última passagem pelo Inter.
Em junho daquele de 2008, Fernandão recebeu uma proposta milionária para atuar no Al-Gharafa do Qatar. Com o coração partido, deixou o Clube.
“Foi difícil. Eu chorei como uma criança no vestiário.
Não consegui trocar duas palavras com o Fernando Carvalho quando ele me chamou para conversar.
Mas eu sabia que era o momento de sair”, disse.
No Oriente Médio, o atacante ficou apenas um ano. Em julho de 2009, voltou para o Goiás, equipe que o lançou para o futebol.
Dez meses depois foi para o São Paulo, onde jogou por mais um ano e encerrou a carreira como jogador.
Em julho de 2011, atendendo a um pedido do presidente Giovanni Luigi, Fernandão regressou ao Inter para atuar como diretor de futebol.
“Não pensei duas vezes em aceitar o convite.
Porto Alegre é a cidade que eu queria morar e o Inter é o clube que eu amo de coração", comemorou na oportunidade. Ainda treinou o time de julho a novembro de 2012.
Em abril de 2014, participou da grandiosa festa de reinauguração do Beira-Rio.
* Reportagem baseada em matéria de Leonardo Fister publicada na edição 74 da Revista do Inter