Hiltor Mombach

Morre Nelson Mandela


Morre Nelson Mandela


Presidente da África do Sul entre 1994 e 1999, ele tinha 95 anos.


Reproduzo uma gravação que fiz na África do Sul durante a Copa do Mundo de 2010. E o texto.


NO MUSEU DO APARTHEID


O Museu do Apartheid está localizado no sul de Joanesburgo.
As placas na entrada valem mais do que as palavras.
No auge do apartheid era assim: brancos e negros entravam por portas . O lema que aparece no site do museu é “A History forgotten is a future lost” (”Uma história esquecida é um futuro perdido”).
A instituição foi inaugurada em 2001, e traz, além de exposições permanentes, auditórios em que são mostrados filmes sobre o sistema, uma parte mais elevada de onde se tem uma vista da cidade, e outras atrações. Atualmente, o Museum está com uma exposição sobre Nelson Mandela, um dos símbolos da luta contra o racismo no mundo, e o primeiro negro a governar a África do Sul, após 27 anos de prisão. Foi ao museu levado por Khabo Phillip Molefe, 59 anos.
Molefe é nosso motorista em Johannesburgo.
Ele nasceu no Sowetto e sofreu todos os horrores do apartheid.
Talvez este seja o motivo de ter preferido aguardar no carro enquanto eu fazia a visita.
Logo na entrada, recebi uma etiqueta que me rotulou como branco. Entrei somente pela porta indicada no cartão. Uma maneira de experimentar, sem maiores conseqüências, a segregação. Nas 32 salas do prédio de aço e concreto, conheci desde o surgimento do homem, no continente africano, ao processo de democratização da África do Sul. Passei por galerias de fotos expostas em arames farpados a corredores com forcas penduradas no teto. Os negros (e não-brancos) foram expulsos da cidade, não tinham direito a voto e bons empregos. No vídeo, o cartão que identificava os negros, que não podiam sair sem ele. Khabo Phillip Molefe, 59 anos, nosso querido motorista, só saia de casa com o seu cartão de identificação.