Um clichê diz que o melhor da festa é esperar por ela. Não se aplica ao futebol e à ocasiões assim. Cometendo uma verdade exagerada diria que o pior é a agonia dos momentos que antecedem um jogo de caráter mundial e num mata-mata. Até os quero-queros de Garibaldina sabem que o Grêmio entra como favorito.
Mas os mesmos quero-queros também conhecem o ditado de Dino Sani, aquele que diz que futebol é uma caixinha de surpresas.
De Nelson Rodrigues para o Jornal dos Sports em 16/6/1962.
“O começo de qualquer partida é uma janela aberta para o infinito. Ao soar o apito inicial, todas as possibilidades passam a ser válidas.
Eu falava em sofrimento.
Tudo no jogo de amanhã justifica uma tensão intolerável. Há a angústia da dúvida.
E há a angústia inversa da certeza. Milhões de brasileiros estão certos do bi.
E, apesar disso, ou com isso mesmo, andam crispados em casa, na rua, por toda parte.
Por isso, eu vos disse que o indiferente dá, de si mesmo, do próprio caráter, uma tristíssima ideia. Indiferentes, por quê, se vai definir, dentro de 24 horas, o destino do escrete?
Os lorpas, os pascácios poderão objetar que se trata de futebol, apenas o futebol.
Não é só o futebol.
É, sobretudo, o homem brasileiro.”
