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Escrevo sobre a tragédia na ERS-30. Os indicativos são de que o ônibus ia a 120 km/h numa estrada com limite de 60k/h. Para dizer que morro de medo de velocidade. Até pouco tempo, por timidez ou vergonha, ficava calado, deixando que os motoristas voassem. Ficava sobressaltado, com o coração na mão e irritado comigo mesmo por aceitar o abuso sem reclamar. Não sei quando, mas já vai tempo, mudei de postura. Ora, se estou pagando pelo serviço, tenho o direito de fazer algumas exigências. Hoje, antes de entrar no táxi, digo ao motorista que eu quero ir devagar. Faço disto uma exigência. Se ele não concorda, dispenso seu serviço. Se no meio do caminho ele decide correr, mando parar e desembarco. Não aceito pagar por um serviço e andar com medo. Dias atrás, berrei do fundo de uma destes lotações que percorrem a avenida Protásio Alves: “Amigo, baixa a bola. Reduza a velocidade”. O retruque veio imediato e mal-educado: “O carro é meu e eu faço o que eu quero”. Não tive dúvida. Mandei parar e saltei, sem antes arrematar: o carro é teu, mas a vida é minha. Fui acompanhado por uma senhora de idade, também indignada. Como não há fiscalização alguma, embora todos os impostos pagos pelo cidadão, tornei-me um fiscal. Faça o mesmo.