Durante 90min Ronaldinho tratou as faixas com o provocativo dizer “pilantra” e as sugestivas notas de dinheiro espalhadas pela arquibancada do estádio Olímpico com mascarado desdém, denunciado por uma atrevida dancinha após um dos gols do seu amor do momento, o Flamengo. O rebolar surgiu como um recado: “Vejam, não nem estou ligando”.
A tarde primaveril teria desenlace parcialmente feliz para a imensa torcida do Grêmio. Ela vira seu time promover estupenda virada sobre o rival, saindo do 2 a 0 para o 4 a 2, mas não vira nem ouvira o ex-ídolo, há muito transformado em vilão, acusar abertamente o golpe por tamanho sentimento de rancor e inimizade vindo das arquibancadas.
Enquanto jogou, Ronaldinho não deu este gostinho. Quando falou, cometeu uma frase que surgiu como um atestado de culpa. Ali, na declaração, mostrou como se sentia atingido pelo menosprezo de uma torcida que outrora o idolatrou. Se o Flamengo morreu pelos pés, Ronaldinho faleceu pela boca. Perguntado o que achara de tão “calorosa” recepção tentou desdenhar, derramando todos os sentimentos represados: “Para quem está acostumado com a torcida do Flamengo, isto não é muito barulho, não”.
Há coisas que se compra com dinheiro, e Ronaldinho sabe disto. E há outras que não têm preço. Os gremistas sabem disto.
