Feito um Nostradamus dos pampas, sentenciei em 2003, quando da extinção do mata-mata e da aprovação da fórmula de pontos corridos, que não veríamos Inter e Grêmio festejar um título do Brasileiro pelos próximos 100 anos.
Há previsões que você faz e torce para errar.
Não errei até agora.
Até segunda-feira, o Grêmio tinha chances remotas de título.
A turma da arbitragem abortou ao sonegar uma penalidade diante do Corinthians que, se convertida, daria dois preciosos pontos.
Sim, amigos, dois pontos fariam toda a diferença. Vejam.
Estava 4 a 4 e eram 49 minutos do segundo tempo.
Convertesse a penalidade o time gaúcho iria para 42 pontos.
Assim, em terceiro, com 42 pontos, encararia o vice-líder Palmeiras, 44 pontos, nesta quinta-feira na Arena, podendo subir para 45 pontos.
Quantos pontos tem o líder Botafogo? 51. Imaginem a pressão que o Botafogo sofreria na sexta-feira, quando vai encarar o Corinthians, em São Paulo, vendo pelo retrovisor o representante gaúcho se aproximando?
Prossigo.
O sistema de pontos corridos foi aprovado em dezembro de 2002.
De lá para cá o Inter empilhou títulos no mata-mata, entre eles duas Libertadores, um Mundial/Fifa e uma Sul-Americana. O Grêmio, uma Libertadores e uma Copa do Brasil.
Com apenas dois clubes grandes, Inter e Grêmio, o Rio Grande do Sul conquistou dez títulos nacionais (Brasileiro e Copa do Brasil) até 2003, média de cinco para cada clube.
Neste período, os quatro grandes de São Paulo (Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo) haviam conquistado 17, média de 4,25 por clube; os quatro do Rio (Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo) 15, média de 3,75 e os dois grandes de Minas, Cruzeiro e Atlético, cinco, 2,5 cada.
Na era dos pontos corridos, não faturamos nenhum Brasileiro e lá se vão 20 edições.
Vimos SP levantar 11 taças, RJ, cinco, e MG, quatro.
Previ que não veremos um gaúcho campeão nos próximos 100 anos com esta fórmula. Faltam 80.
