Peguei o tempo em que vice de futebol precisava entender de futebol.
Naquela época não havia ferramentas como scout, sites fornecendo zona de calor, passes certos e errados, chutes em gol, desarmes, quilômetros percorridos...
Era no olhômetro.
Reza a lenda que Abílio Reis, um revelador de talentos, certa feita num teste rolou uma bola e mandou o piá cabecear. O garoto deu um "peixinho" e foi dispensado com a seguinte frase:
"Tá fora.
Uma bola assim se chuta e não se cabeceia".
Fernando Carvalho montou um Inter multicampeão no olhômetro: Alex, Wellington Monteiro, Ceará, Índio, Edinho, Iarley...Atento ao mercado, "roubou" Fred do Galo e Oscar do São Paulo. Os dois encheram os cofres do Inter de dólares.
Cometendo uma verdade exagerada diria que hoje o vice de futebol tem função decorativa.
Obviamente há exceções, quase todas entre os dirigentes da velha guarda.
Isto explica porque esta disputa por diretores executivos que passaram a ganhar fortunas. O Inter, por exemplo, escalou até um gerente de mercado para "descobrir" Coudet. Tanto o vice de futebol tornou-se figura ornamentária que o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, vem acumulando e bem a função.
Os diretores executivos por sua vez recebem planilhas, consultam software que monitoram jogadores do planeta inteiro. Isto explica este rodízio, este entra e sai de atletas, a casa de Irene em que foram transformados alguns clubes: chegam com base nas estatísticas, em ferramentas, em dados que no papel têm o poder de transformar um perna de pau num craque.
Vejam Guerrero, por exemplo. Olhando sua "zona de calor" não jogaria em time grande algum, pois está concentrada numa área pequena. Mas é ali nesta área que ele vira bambambã.
Tantas ferramentas, tantos detalhes, tantos números, tantas estatísticas...
Tudo é muito bem-vindo ao mundo futebol.
Mas nada supera o velho e confiável olhômetro de quem conhece o riscado.
Nada supera o velho e confiável olhômetro
Tantas ferramentas, tantos detalhes, tantos números, tantas estatísticas...
