Hiltor Mombach

Não chorei por ti, Argentina!

Desta Argentina quero tudo para o Brasil. A garra, a perseverança, o futebol, Messi, o heroísmo, a identidade com o torcedor, com o país. Mas...

Espanha campeã do mundo
Espanha campeã do mundo Foto : FRANCK FIFE / AFP / CP


Depois de 16 anos a Espanha voltou a ser campeã do Mundo. Venceu a Argentina por 1 a 0, gol anotado aos 40 segundos do segundo tempo da prorrogação. A Espanha teve ainda dois gols anulados.
A Argentina não jogou nada e foi para a prorrogação com um homem a menos. Os números mostravam 20 finalizações da Espanha contra nenhuma no começo do segundo tempo da prorrogação. Foi meia linha.
A Espanha empilhava chances diante de um rival que segue conseguia passar do meio-campo. A Argentina não era nem caricatura daquele seleção que havia sofrido, mas eliminado Costa Verde, Egito, Suíça e Inglaterra.
A Espanha é bi e a Argentina, campeã em 2022, segue tri. O Brasil é penta. Só duas seleções ganharam duas Copas seguidas, Itália e Brasil.
A rivalidade move o futebol e é mais ou menos acentuada conforme fatores históricos, geográficos, sociais ou disputas por títulos.
A rivalidade entre Brasil e Argentina é histórica e pode ser constatada entre os clubes na Libertadores, onde cada país soma 25 títulos.
Ninguém seca o Íbis Sport Club. O torcedor do Grêmio seca o Inter e o torcedor do Inter seca o Grêmio. Só se seca quem se teme, quem não se quer ver pela frente em campo.
Em 2023 a revista inglesa "FourFourTwo" elegeu os 32 maiores clássicos do mundo. Boca Juniors x River Plate aparece em primeiro e Grêmio x Internacional em oitavo. O Gre-Nal é o clássico de maior rivalidade no Brasil. A geografia torna ainda mais acentuada a rivalidade entre gaúchos e argentinos.
A Seleção da Argentina foi campeã mundial em 1978, 1986 e 2022. O Brasil em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Levasse o caneco em 2026 e os argentinos iriam para a Copa do Mundo de 2030 em busca do penta. Teriam a oportunidade de se igualar ao Brasil.
Há, de quebra, e por parte dos argentinos, a insistência em comparar Maradona, antes, e Messi, agora, a Pelé. Nem eles acreditam que Maradona ou Messi podem se igualar a Pelé. Comparar por pirraça.
O Brasil ganhou a última Copa em 2002 e, depois disto, vem afundando. Conheceu o fundo do poço em 2026 quando não passou pelas oitavas. Não há perspectiva de melhora. A seleção não merece o Brasil que tem vai tempo. Dos jogadores que fracassaram agora só um voltou no avião fretado pela CBF. Os demais seguem em férias. Trata-se de uma seleção sem vergonha.
Sem um Brasil para torcer, restou secar los hermanos. A felicidade verde-amarelo está na infelicidade alheia e aqui misturo Copa com Brasileiro. No momento, o torcedor do Grêmio só vibra com a derrota do Inter e o torcedor do Inter só vibra com a derrota do Grêmio. Os dois times têm um mísero ponto a mais do que o primeiro rebaixado no momento.
Desta Argentina quero tudo para o Brasil. A garra, a perseverança, o futebol, Messi, o heroísmo, a identidade com o torcedor, com o país.
Quero uma seleção que não desistiu quando tudo parecia perdido, como diante de Cabo Verde e Egito. Uma seleção que perdia para a Inglaterra por 1 a 0 até os 40 minutos do segundo tempo quando virou com gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez (46 minutos).
Embora o respeito, a admiração, não chorei pela Argentina