NEM TÃO DEVAGAR, NEM...
A multidão, ali, enfurecida, deixava temeroso o cocheiro do senador Pinheiro Machado. Sem saber como levar o tílburi para bem longe, ouviu do político a seguinte ordem: “Não tão depressa que pareça fuga nem tão devagar que pareça provocação”.
Começo com Pinheiro Machado, mas meu assunto é Grêmio. Antes, um parêntese sobre o político: “E ninguém percebeu que, com Pinheiro Machado, morria também o fraque”. A frase é de Nelson Rodrigues.
O Grêmio terá uma multidão contra si na Vila Belmiro. Cabe a Silas sair da enrascada. Escalando um Grêmio retraído parecerá covarde; ofensivo, provocador. Será preciso buscar o equilíbrio. Aqui, amigos, está todo o problema: qual o time mais equilibrado para este jogo?
Numa circunstância normal, eu iria de Adílson, William Magrão, Hugo e Douglas; Jonas e Borges. Mas, e há sempre um mas em tudo, a circunstância é anormal: o Grêmio não terá seu melhor zagueiro, Mário Fernandes. Nem falo da ausência do lateral Neuton. Jogará sem Mário contra o ataque mais infernal deste começo de temporada, o do Santos.
Uma circunstância como esta pediria Maylson, mas se com Maylson o time poderá ganhar consistência defensiva, poderá perder poder ofensivo. Alguém poderá retrucar com outra hipótese: um time consistente no seu meio-campo dá mais liberdade para o armador e os atacantes.
No jogo do Olímpico, Silas pensou reforçar o time defensivamente usando um 3-5-2 com Hugo improvisado numa lateral. Quando o Grêmio levou 2 a 0, reparou o tremendo equívoco, passando Hugo para a sua, o meio-campo. Deu no que deu, uma virada histórica.
Tudo o que o Grêmio não pode fazer é cair na armadilha do Santos, que deverá propor um jogo de correria. O Grêmio tem que ir na manha, nem tão depressa nem tão devagar...
