NEUTON, SONHO REALIZADO
De José Ody, correspondente do Correio do Povo em Erechim.
Ivete Piccoli, mãe da surpresa positiva do Gre-Nal de domingo, não tem
dúvidas: “O pai dele (Neuton Luiz Piccoli) era doente pelo Grêmio. Ele
sempre me dizia: o meu sonho é ver meu filho um dia jogando no Grêmio”,
disse ela ontem, 26, de manhã na agência do Sine onde trabalha há 32
anos. De acordo com a mãe do lateral gremista o sonho não era apenas do
seu marido e pai do menino que saiu do Ypiranga de Erechim para o Grêmio
com 16 anos. “Era também um sonho do Neuton”, disse ela acrescentando:
“Desde os dois anos ele só pensava em bola”, para mostrar o apego do
jovem atleta com o futebol.
Pai jogador
Na realidade, a revelação gremista teve por quem puxar. O pai, Neuton
Luiz Piccoli, amava o futebol. Foi meio campista e lateral esquerdo do
Demoliner (um clube que disputa os campeonatos municipais) do bairro
Demoliner na saída para o município de Gaurama. A este clube o pai do
jogador do Grêmio dedicou-se também fora de campo, atuando na comunidade
como uma liderança local. Pelo bairro elegeu-se vereador duas vezes e
virou secretário municipal de Agricultura em 2003, quando no dia 20 de
setembro daquele ano, faleceu vítima de uma colangite esclerosante
múltipla que levou a uma hepatite tipo C, tornando o quadro
irreversível, por mais que buscasse tratamentos em Erechim, Porto Alegre
e Passo Fundo onde faleceu. Neuton Luiz Piccoli, o Biduca, como era
conhecido na cidade acabaria sendo sepultado no cemitério do próprio
bairro Demoliner ao qual tanto se dedicou. Além de Neuton Sérgio
Piccoli, 20 anos, jogador do Grêmio, o Biduca e sua esposa Ivete,
tiveram o Henry, de 16 anos. “Esse só joga bola na escola”, disse ontem,
26, a mãe do jogador gremista. A senhora Ivete viu o Gre-Nal em família
na casa de uma irmã sua. Conta que o filho vai pouco a Erechim. “A
última vez que ele veio foi no começo do ano para buscar seu carro, uma
Cross amarela, que era outro sonho dele”.
Avô torcedor
Na saída para Aratiba, na rua Bortolo Balvedi, o avô do jogador
gremista, senhor Sérgio Piccoli, aos 78 anos, também estava feliz com o
desempenho do neto. O avô também é tricolor: “Sempre fui gremista. Não é
por que o meu neto está lá agora... mas agora torço mais ainda”. O avô
do lateral, que neste momento vive alegrias, sofreu muito. Dos três
filhos que teve, perdeu dois deles: O pai do jogador gremista há sete
anos, vítima de hepatite C, e Milton, há quatro anos, vitimado por um
infarto. Para o avô, o jovem Neuton, tem tudo para fazer carreira como
jogador de futebol profissional.
Início com Poletto
Paulo Sérgio Poletto, veterano e experiente técnico de futebol, foi o
primeiro profissional a trabalhar com Neuton. Quando o Instituto
Anglicano Barão do Rio Branco assumiu a administração do Ypiranga em
2003, foi desenvolvido um projeto de retornar ao futebol. Em 2005 e 2006
um grupo de juniores começou a se profissionalizar, e, nele, estava uma
jovem promessa de 15 anos – Neuton. O técnico Poletto recorda: “ele
começou comigo como meia de ligação e depois passei ele para a lateral
esquerda. Em 2006, contra uma seleção de Tapejara, quando ganhamos de 5
a 0, o Neuton fixou-se como lateral e nunca mais perdeu a posição”,
observa Poletto. O experiente profissional destaca as qualidades do
jogador: “estatura, imposição física e uma perna esquerda quase
perfeita”.-
