Dias atrás, através de uma carta, Ronaldo transformou Neymar em vítima:
"E é também por isso, por ter chegado aonde chegou, pelo sucesso que alcançou, que tem que lidar com tanta inveja e maldade."
Já citei aqui mesmo mais de uma vez uma frase de uma crônica de Nelson Rodrigues:
"O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente.
Olhem em torno e vejam.
É terrível.
O passado irrompe numa gravata, num gesto, num sapato ou num colarinho.
Estamos usando os bigodões dos nossos avós".
Sua majestade o Rei Pelé alcançou os píncaros da glória e segue amado em todos os cantos deste imenso planeta.
O passado de Pelé aponta de forma cristalina para outro lado: é possível que Neymar injete gasolina nesta inveja e maldade citadas por Ronaldo.
Entre salários e patrocínios o nababo mancebo tupiniquim amealha irrisórios R$ 460 milhões por ano. Tem três aeronaves.
Dias atrás, a União e a Fazenda Nacional recorreram da decisão que livrou o jogador e seus familiares de pagar uma dívida de R$ 88 milhões em impostos, referente a negócios fechados entre 2011 e 2013. Dinheiro de imposto que "serve para construir hospital, escola e creche" como escreve a blogueira do UOL, Milly Lacombe, que acrescenta "Neymar não é vítima de nada. Neymar está lidando com o impacto das atitudes que tomou na vida".
Na Copa da Rússia, seu futebol concorreu, e ganhou, em fama com os cortes e cores da melena, dando a impressão que o figurino preocupava mais do que o resultado de campo.
Num raciocínio pueril, mas realista, digo que vítimas são os brasileiros chumbado à miséria, as 33 milhões de pessoas que passam fome.
Há açougues vendendo osso.
Doze milhões de desempregados erguem o pires todos os dias torcendo para que pingue uma moedinha.
Neymar está anos luz deste país que não faz uma refeição por dia.
Transformá-lo em coitadinho é vergonhoso.
