Hiltor Mombach

Neymar “no fundo do poço” é mais notícia do que a Seleção

Sem craques feito Pelé, Garrincha, Tostão, Ronaldinho, Rivaldo ou Ronaldo um quase ex-jogador é manchete aqui, na Europa e na China

Neymar
Neymar Foto : GUILHERME DIONíZIO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO/CP

Em "A Pátria de Chuteiras" Nelson Rodrigues começa assim uma crônica:
"Amigos, é a grande viagem para a vitória, a gigantesca vitória. Logo mais, a cidade vai se despedir do escrete. Não será um adeus, mas um “até o tri”. E ninguém deve fi car em casa.
Como se omitir, se a seleção precisa de todos nós e de cada um de nós?
Eis a verdade inapelável e eterna: — só o grande amor faz o grande escrete."
Eis que a Copa do Mundo está batendo à porta.
No dia 13 de junho, em Nova Jersey, tem Brasil e Marrocos.
Retumba um silêncio coletivo neste que já foi o país do futebol.
Não se fala em Copa.
Nem aqui, nem na Europa, nem na China.
Neymar segue concentrando as atenções.
Sem craques feito Pelé, Garrincha, Tostão, Ronaldinho, Rivaldo ou Ronaldo um quase ex-jogador é manchete aqui, na Europa e na China.
"Neymar chega ao fundo do poço" dispara o jornal As, da Espanha.
Amigos, que repercussão estrondosa para uma notícia dormida.
Para muitos ele já havia batido no fundo do poço há anos.
Neymar passou o fim de semana inteiro se dedicando a um campeonato de pôquer, onde exibe boa performance.
Eis aqui um jogo que ele sabe jogar. Futebol? No futebol estamos diante do "maior desperdício de talento" como registrou Juca Kfouri.