CARLOS CORRÊA / INTERINO
Quando eu era mais novo e chegava perto de um clássico Gre-Nal, a discussão era basicamente a mesma que permanece até hoje: quem é o favorito para vencer a partida? A diferença com a passagem dos anos é que, lá atrás, os colorados queriam que o Inter fosse o favorito, enquanto os gremistas desejavam que fosse o Grêmio. Hoje está tudo diferente. Diga o que quiser, mas nunca, em hipótese alguma, atribua favoritismo ao time X se você não estiver disposto a encarar a ira dos torcedores. Não do time Y, mas do próprio time X.
Em época de clássico Gre-Nal, tanto o Saci quanto o Mosqueteiro podem folgar. O mascote da vez, de ambos os lados, é o Zé Gotinha. É vacina por todos os lados. Sim, porque não é que os colorados não queiram ver o Inter favorito, e o mesmo vale para os gremistas na relação com o Grêmio. Eles não querem é admitir isso. Porque se você canta vitória e o seu time perde, fica complicado. Mais do que isso, se você já larga dizendo que o adversário é favorito e isso se confirma, bem, você já tratou de diminuir o tamanho do feito. “Viu? Eu disse”, tal qual a criança que cai um tombo e diz: “Nem doeu”.
A maior prova deste tipo de comportamento é quando o seu time ganha o clássico. Essa é a hora em que mais se escuta, quase como um contragolpe acumulado: “Ué, todo mundo dizia que o outro time ia ganhar, o que houve?”, sendo que o próprio torcedor espalhava aos quatro ventos a mesma coisa.
MAIS SEMELHANÇAS QUE DIFERENÇAS
O mais engraçado de tudo é que, em se tratando do Gre-Nal deste domingo, não há favoritos. Há quem alegue que é ficar em cima do muro. Eu prefiro dizer que é a realidade. Primeiro porque a história se encarrega de trazer inúmeros exemplos de que favoritismo é algo menor no Gre-Nal.
Segundo, nem Grêmio e nem Inter apresentam vantagens suficientes para entrar em campo na Arena como favoritos. Há, de fato, um elemento favorável para quem joga em casa. Mas em uma final de ida e volta, isso acaba se anulando, salvo uma goleada ou algo do tipo no primeiro jogo.
A campanha do Inter no Campeonato Gaúcho sinalizava um leve favoritismo para o lado vermelho, visto que construiu sua classificação de forma sólida, enquanto o Grêmio passou sufoco contra o Juventude. No entanto, os jogos de meio de semana, pelo Campeonato Brasileiro, trataram de equilibrar a balança.
SEMANA FOI DIFERENTE PARA OS DOIS
O Grêmio venceu o Atlético-MG. Não foi uma atuação de encher os olhos, mas o dever de casa foi feito. O jogo serviu também para deixar claro que Gabriel Mec não pode ser reserva. Além disso, com o resultado, o Tricolor foi a seis pontos e está em situação tranquila na competição.
O Inter foi no caminho inverso. Mesmo empatando, fez, contra o Remo, a pior das suas quatro partidas no Brasileirão. Voltou do Pará com mais dúvidas do que no embarque. De quebra, perdeu um treino em função do atraso no voo. Mas o pior de tudo é que, ao somar apenas um ponto, segue na zona do rebaixamento. Foram apenas dois pontos em 12. São campeonatos diferentes, mas a pressão não costuma fazer esse tipo de distinção.
