Siga o Correio do Povo no Google!E fique um passo à frente das principais notícias.
Ouço colorados e gremistas indignados: Gre-Nal com uma torcida só é o fim da picada! Os mais antigos estão pasmos e se perguntam em que mundo estamos vivendo. São de um tempo em que a maior agressão num estádio de futebol era jogar um saquinho de xixi. Não sei porque não estou surpreso com a decisão da Brigada Militar, respaldada pelo Ministério Público. Perdi a conta das colunas que escrevi dando conta de que os verdadeiros torcedores estavam perdendo a guerra para os vândalos. A maioria estava sendo esmagada por uma minoria psicopata, de comportamento violento a antissocial. Alertei os dirigentes. Poucos me levaram a sério. Alguns preferiram brincar com pólvora. A Brigada Militar vetou os colorados na Arena, domingo, dizendo estar preocupada com a segurança no entorno do estádio e com a chegada de torcedores do Inter pela estação Anchieta do Trensurb. Acho que este não é o verdadeiro motivo. A BM cansou de ser a Geni. Se intervém, leva pau por ser agressiva; se não intervém, leva pau por ser omissa. Koff e Luigi são pessoas de bem. E do bem. Encurralados por esta minoria ameaçadora, lavaram as mãos. Minha intuição diz que ainda não vimos tudo. E que este paliativo de se realizar um Gre-Nal desta magnitude, pois o primeiro na Arena, com uma torcida só, pode ser um tiro pela culatra, termo que cabe aqui pela beligerância. No ano passado, o clássico Atlético-PR e Coritiba foi efetuado com apenas uma torcida. Deu quebra-quebra em vários pontos de Curitiba. Quero estar errado, mas acho que a BM terá mais trabalho em apagar incêndios aqui e ali do que teria em dar segurança aos colorados indo ou saindo da Arena. Talvez seja necessário rever a posição. Há tempo para isto.É patético, e doloroso ao mesmo tempo, ver esta lenta derrocada dos torcedores do bem. Agride saber que os vândalos estão todos identificados, são os mesmos há uma década e continuam com trânsito livre nos estádios. A impunidade está dando de goleada. E minha intuição diz que ainda não vimos tudo.
Adaptação do poema No caminho, com Maiakóvski, de Eduardo Alves da Costa.
Na primeira noite eles se aproximam e roubam a carteira do nosso bolso. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; sentam na nossa cadeira, cospem no nosso chão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nosso estádio, rouba-nos o espetáculo, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.