Hiltor Mombach

NO CHAMA-DERROTA, 2 a 0; NO 4-4-2, 2 a 1

NO CHAMA-DERROTA, 2 a 0; NO 4-4-2, 2 a 1

Fossati é um homem de convicções. Múltiplas. Quando os indicativos eram de que o Inter havia acertado no 4-4-2, Fossati escala o time no 3-6-1 contra o Estudiantes na Argentina: um goleiro; três zagueiros, dois laterais, dois volantes e dois armadores e um atacante. Oito marcadores, dois meio-campistas e um homem para ocupar todo um imenso latifúndio. Deu no que deu: eram 21min e o Inter já levava 2 a 0.
Fossati nada mudou para começar o segundo tempo. O Inter agonizava vítima de um sistema tático covarde, medroso, do funesto esquema-derrota, que deveria ser banido para sempre do Beira-Rio, quando Fossati decidiu, aos 22min30s, abrir mão de uma convicção vesga, torta, lesa-pátria colorada, promovendo a entrada de Walter, até então punido com o banco de reservas. Oito minutos depois, já era outro jogo e Andrezinho quase marcava cobrando falta; 18min depois, Walter perderia um gol incrível... O Inter esboçava, ali, a reação tão esperada. Já com Giuliano em campo, dava esperança ao seu torcedor.
Aos 43min, passe de Andrezinho e... gol de Giuliano. Estava premiada a mudança de esquema, o 4-4-2. No 4-4-2, o Inter realizou muitíssimo mais de 23min do que em todo tempo anterior.
Fossati foi o autor da mudança, sabemos. Mas também foi o mentor do 3-6-1. Enquanto o Inter jogou pelo regulamento, levou 2 a 0; quando retomou o esquema que o colocou nas quartas-de-final, garantiu classificação para as semifinais. Escrevo isto para dizer que a vaga poderia ter vindo sem tanto sofrimento. Se o jgo serviu de lição, Fossati abolirá para sempre o chama-derrota. Chama-derrota, nunca mais!