No Usbequistão
Os principais clubes de futebol do Usbequistão estão vivendo uma época de democracia e transparência plenas. Democracia é um conceito subjetivo. Mao Tse Tung tinha a sua democracia, assim como Stalin. Hugo Chaves é tido por alguns como democrata. A transparência é de um biquini: mostra tudo, mas esconde o essencial.
Nesta democracia só participam os sócios que pagam para escolher o presidente. Os dois candidatos são pré-determinados pois deve valer a lei de Pelé: “O povo não sabe votar”. Não, a democracia não termina aqui: aos sócios é dado ainda o direito – meu Deus, que concessão! – de participarem da eleição para o conselho. Como se vê, o associado tem amplos poderes para decidir nada. Melhor: rigorosamente nada.
Nesta democracia, poucos integram o stablishmente e, assim como em outras tantas democracias, parte do corpo funcional é escolhido pelo sistema Q.I. (quem indica), ao qual o sócio mais comum não tem acesso algum.
Nesta transparência é preciso que se contrate um analista de balancetes e balanços do Fundo Monetário Internacional para decifrar as cifras. Está tudo transparente em letrinhas tão minúsculas que comparadas a elas as bulas de remédio parecem escritas em letras garrafais.
Para proteger esta transparência de bíquini existe a legião dos senhores que se acham proprietários das informações, verdadeiros Torquemadas que reviram jornais numa busca inquisitorial dos que ousam divulgar aquilo que eles não querem ver divulgado.
Eles não sabem, mas para proteger esta democracia fazem uso de um dos aspectos mais conhecidos e polêmicos do livro a República, de Platão, aquele que trata dos governantes. Para eles, o clube só poder governado pelo filósofo-rei, leia-se aqui alguém que mantenha o status quo.
E todos são felizes nesta democracia transparente.
