Hiltor Mombach

" Nossos capitães já foram De León e Adilson!"

Com atraso, mas vale. Vale postar e vale ler.
Está em http://gremioimortal.net/archives/299

 

A PRIMEIRA RESPOSTA



No dia 8 de abril, perguntei o que poderíamos esperar do Grêmio em 2013. Eu não tinha a resposta mais importante – que títulos iríamos disputar e ganhar -, mas eu já tinha uma suposição: o estilo de jogar estava definido, era a cara do nosso treinador e pouco tinha a ver com o Grêmio copeiro e vitorioso de outras épocas. Se vencêssemos – e todos estávamos torcendo para isso – seria uma conquista revolucionária, baseada na capacidade técnica de alguns jogadores experientes, em final de carreira, e num futebol lento e burocrático. Por mais que Luxemburgo se esforce (e acredito que ele se esforçou muito) em falar do velho espírito lutador e irresignado do Grêmio, ele próprio, Luxemburgo, é um sujeito bem vestido, com o nó da gravata impecável, apreciador de vinhos e especialista em destilar ironias nas entrevistas coletivas. Quem acredita num personagem que fala em “esfregar a bunda no campo” com aqueles ternos tão bacanas e caros?


Hoje, 17 de maio, um mês e dez dias depois, a torcida do Grêmio conhece a primeira resposta: o título mais importante da temporada está perdido. Sempre é chato estar certo quando o time está errado, mas a verdade é que o Grêmio perdeu para um time inexpressivo exibindo exatamente as características que Luxemburgo construiu nesses 15 meses (consultem a tabela do meu texto de abril): futebol lento, quase clássico, dependente de lampejos criativos de jogadores consagrados, como Zé Roberto, Elano e Barcos. Quando estes vão mal, ou são bem marcados, a equipe desmorona. Não há jogadas ensaiadas com a bola em movimento. Não há bom aproveitamento de bola parada. Não há aproximação para tabelas e triangulações. O time deveria ser técnico, mas, na prática, parece que não tem técnico.


O que fazer? Engana-se quem pensa que trocar o técnico resolve o problema de filosofia de jogo. Com os atuais titulares, especialmente (e tragicamente) os dois criadores (Zé Roberto e Elano), dificilmente iremos atacar com velocidade e eficiência. Mas quem entrou ontem? Marco Antônio. Ele não é remédio, é extrema-unção. Quem entrar – se é que alguém vai entrar – terá que armar o time diferente, da defesa até o ataque. Terá que aproveitar o evidente talento de alguns jogadores – Fernando e Souza, por exemplo, os únicos que mantêm uma boa média de atuações e um comovente esforço na briga pela bola – e reinventar outros, à medida do possível. Terá que acelerar o processo de transição da defesa para o ataque, ou Barcos continuará recebendo a bola de costas. Terá que fazer os laterais avançarem com confiança. Terá, antes de qualquer coisa, de fazer um time sem medo de perder.


Esse Grêmio covarde de ontem não é o Grêmio. Nosso capitão ontem era o Barcos, que é bom jogador e fala espanhol, mas chegou ao clube ontem Quando ele saiu, foi substituído pelo André Santos, que, além de novato, não tem o menor carisma para ser um líder. Em outros jogos, foi o Zé Roberto, homem calmo, educado, de fala mansa. Porra! Nossos capitães já foram De León e Adilson! Eles levavam para o campo a voz e a personalidade de treinadores identificados com o clube e com a torcida. Isso não é garantia de vitória, nem de título, mas o que a torcida quer, neste momento, é um time que comece e termine o jogo tentando ganhar e agredindo (no sentido futebolístico) o adversário. Aí, se perder, tudo bem. A gente canta o hino e sai do estádio satisfeito, falando em imortalidade. Ontem, vimos apenas um fantasma. E ele não mete medo em ninguém.


Carlos Gerbase