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Nelson Rodrigues trata de Chacrinha em uma das suas crônicas. Lá pelas tantas, escreve o seguinte: “Passo finalmente ao Chacrinha. Disse eu, no início da presente confissão, que a sua barriga é uma paisagem. Mas o que me importa, mais do que essa plenitude do ventre, é o ordenado do Chacrinha. Já disse e aqui repito: seu ordenado deflagra, no momento, toda uma indignação nacional. Oitenta milhões por mês.” Dias atrás um ilustre gremista disparou: “É um abuso, um absurdo, um disparate”. Sua indignação tinha alvo: o salário dos treinadores dos grandes clubes brasileiros. Chegamos ao tempo do milhão. Sim, há treinador pedindo R$ 1 milhão por mês, R$ 12 milhões por ano. Mais atentatório: pedindo e levando. Temos no Brasil uma nova safra de Chacrinhas. A diferença é que o ordenado não deflagra mais a indignação nacional, tão-somente a raiva pontual, como esta do gremista. Há um Brasil anestesiado pela farra do futebol.Soube que está por se inaugurar no país dos nababos, o do futebol, uma nova moda. Cansados de receber esta ninharia, alguns treinadores pensar em fixar seus rendimentos sobre o faturamento do clube, um percentual de, digamos, 10%. O Inter atingirá R$ 300 milhões em 2013. O Grêmio passará dos R$ 200 milhões. Neste mundo, como no mundo de outro notável apresentador, J.Silvestre, o céu é o limite.