Nunca, antes, o perdão rendeu tanto dinheiro.
Ouvi o lero-lero de Assis, Ronaldinho e do italiano que me faz lembrar Yul Brynner. O Brasil assistiu ao primeiro lero-lero midiático. Uma hora do mais infinito nada, da mais pura embromação. Sebastián Piñera levou o troféu de rei dos marqueteiros em 2010; Assis não terá concorrência em 2011.
Enrolar um, dois é uma arte. Enrolar um público, uma arte para poucos e enrolar dezenas de jornalistas, uma façanha incomum inclusive para um senador. Ronaldinho é bom de bola; Assis, o pai da enrolação. Falou, e como falou, sem dizer uma palavra.
Nunca ninguém se contradisse com tamanha convicção. Num minuto, afirmou que o irmão estava, enfim, livre para negociar; no outro, de estar negociando com Grêmio, Fla e Palmeiras. Lembrou um personagem esculpido por Geppetto. Ao cabo de uma hora todos tiveram a apavorante convicção de ter participado de uma ação de marketing inimaginável para a mais famosa das marcas de refrigerantes, eufemismo para "estamos sendo usados".
Ronaldinho não está acertando com o Grêmio: ele é do Grêmio. Ronaldinho e Assis são vítimas da própria consciência: embora jamais confirmem, compraram o rótulo de traidores imposto pelo torcedor e tentam se livrar da pecha há dez anos. O retorno significará a redenção. Receberão o indulto e R$ 60 milhões.
Nunca, antes, o perdão rendeu tanto dinheiro.
