Hiltor Mombach

O abismo

Até os quero-queros de Santa Rosa sabiam que o Real Madrid era favorito contra o Grêmio.
O que os quero-queros não sabiam é que dez oceanos separam os dois times.

Faço uma correção: dez oceanos separam não o Real do Grêmio, mas o futebol que se joga hoje na Europa e na América do Sul.

Inquestionavelmente o Grêmio pratica hoje o melhor futebol da América do Sul. Disparado eu diria.
Pois a equipe de melhor futebol da América do Sul não teve a mínima chance durante os 90min. A superioridade dos espanhóis foi avassaladora.

Acostumado a encurralar seus rivais por aqui, dar as cartas, atacar, atacar e atacar, o Grêmio se viu encurralado, atacado com insistência.
Por absoluta falta de opção aceitou resignadamente a condição de apenas se defender.
Jogou os 90min por uma bola e nem uma bola teve.
O placar de 1 a 0 ficou baratíssimo.

Perder para o Real Madrid é jogo.
Perder na condição de assistente não é do jogo.
Perder como assistente escancara que o futebol brasileiro chegou ao fundo do poço.
Viramos coadjuvantes.

Há muitas perguntas e poucas respostas para explicar este abismo.
O amigo Omar Selaimen tem  uma justificativa.
Uma entre tantas.
Está no texto sobre a Lei Bosman.