Entrei para a então Caldas Júnior há 42 anos. Primeiro na Folha da Tarde e depois no Correio do Povo. Como? Numa sucessão de fatos aleatórios sai de Garibaldi muito jovem e, ainda muito jovem, e sempre numa sucessão de fatos aleatórios, acabei neste jornal icônico, realizando um sonho.
Leonard Mlodinow escreveu “O andar do bêbado / Como o acaso determina nossas vidas”, best-sellers sobre neurociência: “O objetivo deste livro é ilustrar o papel do acaso no mundo que nos cerca e mostrar de que modo podemos reconhecer sua atuação nas questões humanas. Espero que depois desta viagem pelo mundo da aleatoriedade, você, leitor, comece a ver a vida por um ângulo diferente, com uma compreensão mais profunda do mundo cotidiano.”
Em 17 de maio Tite anunciou a convocação de Everton, o Cebolinha, para disputar a Copa América. Embora em posições diferentes, é possível se cogitar que se bem antes tivesse chamado Luan e este aprovado, Everton não teria vestido a Canarinho.
Em 1° de junho, duas semanas antes do Brasil estrear na Copa América diante da Bolívia, Neymar foi acusado de estupro.
Em 6 de junho, oito dias antes da estreia, Neymar foi cortado da Seleção depois de deixar o gramado machucado num amistoso diante do Catar no estádio Mané Garrincha. É permitido que se cogite aqui que a acusação de estupro feita pela modelo Najila Trindade, além de abalar o jogador, tenha influenciado na sua forma física.
Dia do jogo, 14 de junho. Com David Neres apagado pela esquerda, Tite decide promover uma substituição aos 35min do segundo tempo. Entra o reserva Everton. Quatro minutos depois ele recebe a bola, leva para a perna direita e, do meio da área, manda um balaço. Golaço! No jogo seguinte, diante da Venezuela, entraria aos 26min finais novamente na vaga de David Neres. Para não sair mais e deixar o torneio consagrado.
Desde a saída de outro atacante pela esquerda, Pedro Rocha, a carreira de Everton é um quebra-cabeça de fatos aleatórios. Ele não ocupou logo a vaga de Pedro Rocha. Antes, foi banco de Fernandinho. A carreira do Cebolinha é perfeita para “ilustrar o papel do acaso no mundo que nos cerca”.
O andar do bêbado
Desde a saída de outro atacante pela esquerda, Pedro Rocha, a carreira de Everton é um quebra-cabeça de fatos aleatórios
