Hiltor Mombach

O assunto do momento

O bom do futebol brasileiro é que temos sempre o assunto do momento.
O assunto do momento é do momento: assim como vem, vai. Com a rapidez que aparece, some.
O assunto do momento é a previsão de um tempo curto para a pré-temporada dos jogadores brasileiros.
Comete-se, aqui, uma tremenda injustiça.
O Brasil inteiro só fala da pré-temporada dos jogadores e eu pergunto: e a pré-temporada da Federação Gaúcha de Futebol?
Meus amigos, esta é escandalosamente curta. Curtíssima para tantos afazeres gastronômicos e turísticos.
Lembro de uma pré-temporada da Federação Gaúcha de Futebol e uma comitiva de 55 pessoas ao Chile, todos hospedados no luxuoso Regal Pacific. Foi vapt-vupt.
Nem deu tempo para apreciar os melhores e mais famosos vinhos Carménère.
E de outra, uma viagem no navio cruzeiro Oasis of the Seas, um dos mais luxuosos do planeta, com 40 convidados. Juram que todas as decisões técnicas e políticas sobre o Campeonato Gaúcho de 2013 foram tomadas à bordo do Onasis, perdão, Oasis.
O resultado, todos viram. Um regional com estádios vazios e bêbado de ruim.
Ah, teve uma que passou por Barcelona.
Em Barcelona está sediado o Barcelona, dono do grandioso estádio Camp Nou Camp, com capacidade para 100 mil pessoas.
Quem sabe no outro século o Gauchão não ultrapasse a média de dois mil pagantes por jogo? Isto é que eu chamo de visão futurista.
Obviamente, e as obviedades existem para serem escritas, um patrocinador bancou estas pré-temporadas que, por sua vez, garantem uma espécie de vitaliciedade ao amigo Noveletto.
Você quer saber qual a moral da história. Vamos lá.
Toda vez que um dirigente criticar Noveletto, pergunte quem este dirigente vem apoiando eleição após eleição para presidente da entidade.
E por quais motivos.
Toda vez que um dirigente atacar o Gauchão, pergunte a ele o que ele fez para mudar este campeonato que ruma resultou para a falência.
Agora, olhe mais para cima.
Toda vez que Inter e Grêmio atacarem a CBF, perguntem aos dirigentes quem avaliza José Maria Marin e seus periféricos.
Curto e grosso, amigos: se os clubes peitarem a CBF e a Globo, mudam o calendário do futebol nacional.
A questão é: eles têm coragem de peitar com os milhões que a TV despeja nos cofres?
Pensem nisto enquanto eu lhes desejo um bom domingo.