Hiltor Mombach

O BOLO QUE CRESCE

O BOLO QUE CRESCE

Começarei pelo começo: nada é o que parece ser. Vivesse hoje e Dostoiévski não seria Dostoiévski. Exige-se marketing para ser alçado a “Mago”. Alguém já disse que a propaganda é a alma do negócio. Os nazistas foram mestres nisto. “Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade” afirmava Josef Goebbels. Não é bem assim.
Achava, e como bairrista assumindo escrevi várias vezes sobre o assunto, que a preferência dada a Flamengo e Corinthians pela televisão só faria crescer as duas torcidas, o poder econômico, tornando num futuro não tão longínquo Grêmio e Inter coadjuvantes. Estou entre aqueles que veem em quase tudo uma conspiração contra os gaúchos.
Uma composição de Humberto Zanatta, Francisco Alves e Francisco Scherer diz: “Não podemo se entrega pros home/ De jeito nenhum, amigo e companheiro/ Não tá morto que luta, quem peleia/ Pois lutar é a marca do campeiro.” Agora, chego onde quero chegar.
A verdade é outra: a gauchada regurgita o que tentam empurrar goela abaixo. Os dados são espantosos. Em 2000, o Flamengo tinha 19% da torcida brasileira. Dez anos depois, segue com os mesmos 19%. Em 2001, o Corinthians contava com 13% da preferência. Não aumentou um ponto. E há 10 anos Grêmio e Inter se mantêm com o mesmo índice.
Agora, o mais incrível. Anos e anos de imposição televisiva não fizeram Flamengo e Corinthians disparar como as marcas mais valiosas do futebol. Estudo da Crowe Horwath RCS aponta o Grêmio como a marca que mais cresceu de 2004 até 2008. O Inter entra em segundo lugar.
Em 2003, os principais clubes brasileiros geravam uma receita de R$ 509 milhões assim distribuídos percentualmente: São Paulo, 46%; Rio de Janeiro, 27%; Minas Gerais, 16% e Rio Grande do Sul, 11%. Em 2008, geraram R$ 1,16 bilhão, com a seguinte distrinuição: São Paulo, 41% (perdeu 6%); Rio de Janeiro 25% (perdeu 2%); Rio Grande do Sul, 21% (cresceu 10%) e Minas Gerais 13% (perdeu 3%).
O estudo não é categórico ao afirmar que Inter e Grêmio aumentaram e muito sua participação no bolo graças aos sócios, no entanto eu tenho esta convicção. O Grêmio deve estar perto dos 60 mil e o Inter passou dos 100 mil. Quanto mais apanha, mais a massa do bolo cresce; quanto mais tentam empurrar clubes de outros estados, mais o torcedor gaúcho escancara seu amor por Inter e Grêmio, mais se apega à bandeira do Rio Grande do Sul.
Por não sermos os queridinhos da TV parecia que perderíamos terreno. Parecia. Não nos dobramos à imposições forasteiras.