Hiltor Mombach

O BRASIL DEFENDE COMO DUNGA E ATACA COMO O....BRASIL

O BRASIL DEFENDE COMO DUNGA E ATACA COMO O....BRASIL

Por Gabriel Calderón. Para o site da Fifa.

Joguei contra o Brasil nos Mundiais de 1982 e 1990. Lembro ter enfrentado uma equipe ofensiva e ambiciosa, que buscava o ataque com muitos jogadores desde o primeiro minuto. Na Espanha, surpreendeu e foi a melhor seleção do torneio, mas não abriu mão de atacar a Itália e acabou perdendo por 3 a 2. E um empate bastaria! Naquela oportunidade, acabou eliminada jogando o futebol que os brasileiros tanto gostam.

Na Itália 1990, voltei a enfrentá-los com a Argentina nas oitavas, e merecíamos ter perdido de 5 a 0 no primeiro tempo. O Brasil era um verdadeiro furacão ofensivo! Lembro que estava no banco de reservas, de onde sempre apoiávamos os companheiros. Mas não daquela vez. Estávamos congelados, não tínhamos nenhuma força diante de tal superioridade. No intervalo, o Carlos Bilardo não disse uma palavra sequer. Não entendíamos como. Ao sair para o jogo, só nos pediu uma coisa: "Por favor, não deem mais a bola aos de amarelo." No segundo tempo, o Diego (Maradona) fez uma jogada genial e levou ao gol do (Claudio) Caniggia. Vencemos um jogo incrível e eles voltaram pra casa.

Falo isso tudo por um motivo: o Brasil aprendeu a lição. Hoje é a seleção que mais sabe se defender na competição sem perder a presença ofensiva que a caracterizou durante toda a sua história. Eu poderia descrevê-la da seguinte forma: defende como Dunga e ataca como Brasil.

Como jogador, o Dunga era diferente dos demais brasileiros. Ele era o encarregado de fazer o trabalho menos destacado, mas não menos importante: levar equilíbrio a uma equipe totalmente ofensiva e brigar por cada bola como se fosse a última. Este Brasil é assim, convida o adversário a atacar até fazê-lo acreditar que está no controle. Quando ele cria confiança e acha que está preocupando, o Brasil surpreende e ganha o jogo. É o grande candidato a chegar à final, sem sombra de dúvidas.

Por fim, gostaria de parabenizar o futebol do Chile nesta Copa do Mundo. Em um torneio em que muitos treinadores priorizaram estar bem preparados na defesa, os chilenos foram os que apresentaram a melhor proposta: jogar com ambição e em busca da rede adversária. Os chilenos deixaram a sua marca e saíram de cabeça erguida.