Levantamento Datafolha divulgado ontem mostra que 29% da população brasileira acredita que o Brasil ganhará a Copa do Mundo de 2026.
O Brasil estreia em 13 de junho contra o Marrocos.
Para 46%, a seleção Canarinho não passará das quartas de final, enquanto 14% acreditam em eliminação ainda na fase de grupos.
Não vai muito, Mauro Beting escreveu no Estadão:
"Quase todos os times do Brasil que terminaram uma Copa como campeões chegaram ao Mundial desacreditadas, “cornetadas” e até mesmo xingadas. Sejam as seleções de Pelé e Garrincha (1958 e 1962), o Esquadrão (1970), os heróis do Tetra (1994) ou a família Scolari (2002), todos foram submetidos a críticas antes de subirem ao lugar mais alto do pódio."
Quando o assunto é a Seleção Brasileira recorro a Nelson Rodrigues e uma crônica que levou o título de "Complexo de vira-latas". Trechos.
"Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: — “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto: — não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?"
Prossegue: "A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: — temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?”.
Eu explico. Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol".
O Brasil perdeu para a França por 2 a 1 em um amistoso preparatório realizado em 26 de março. No dia seguinte fui ao supermercado e, questionado por um gerente sobre as possibilidades do nosso selecionado na Copa, disparei: "Não passa da primeira fase".
Dias depois, em outro amistoso, o Brasil venceu a Croácia por 3 a 1. Voltei a supermercado e o mesmo gerente quis saber das nossas chances na Copa do Mundo: "Acho que vamos para as cabeças".
Amigos, eu não acredito na Seleção, mas acredito. Como no ditado: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.
Vivo numa montanha-russa. Para disfarçar qualquer indício de otimismo eu me vacino com uma dose cavalar de pessimismo. Foi assim de 2002. Como havia em 1994. A última vez que admiti estar otimista em relação ao título foi em 1970. Em relação a esta Seleção eu vacilo entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética.
